Dr. Dolittle de Mogi já resgatou quase 80 animais silvestres

Veterinário Jefferson Leite com família de corujinhas-do-mato resgatadas em Mogi das Cruzes (Foto: Jefferson Leite/ Arquivo Pessoal)

O G1 publica matéria com um personagem realmente amante dos animais. De junho de 2015 até outubro deste ano, quase 80 animais silvestres feridos foram resgatados em áreas urbanas e foram tratados pelo  veterinário Jefferson Renan Araújo Leite, de Mogi das Cruzes.

Sem um Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) no Alto Tietê, o especialista acaba realizando os primeiros socorros aos bichinhos, que retornam à natureza ou são encaminhados a uma unidade específica, fora da região. Isso quando eles conseguem se recuperar. Muitos animais acabam morrendo devido à falta de tratamento específico, ou por não conseguirem se adaptar novamente à natureza.

Com o crescimento do setor imobiliário e o desmatamento, a aparição de bichos silvestres em rodovias, árvores ou até mesmo nas casas, foi ficando cada vez mais comum. Dados da Fundação SOS Mata Atlântica mostram que o Alto Tietê tinha, originalmente, 252 hectares de Mata Atlântica. Atualmente, restam menos de 52 hectares e, em Mogi das Cruzes, uma das áreas que melhor representa o desmatamento é a Serra do Itapeti. Muitos condomínios estão localizados em áreas onde só existia verde.

Mosaico com os animais socorridos pelo médico veterinário de Mogi das Cruzes, Jefferson Leite. (Foto: Jefferson Leite/ Arquivo Pessoal)
Mosaico com os animais socorridos pelo médico veterinário de Mogi das Cruzes, Jefferson Leite. (Foto: Jefferson Leite/ Arquivo Pessoal)

A soltura indevida também pode gerar problemas e desequilíbrio. É o caso do sagui-de-tudo-branco, que é uma espécie exótica que não habitava a mata da região. Por causa da soltura indevida, trouxe problemas para o sagui-da-serra-escuro, que está em extinção e perdeu território. A soltura indevida também deu origem a macacos híbridos.

A criação de um  Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) no Alto Tietê poderia ainda desafogar a demanda de animais encaminhados para as unidades de Jundiaí e São Paulo. “Em São Paulo, chegam tantos animais que a unidade quase não dá conta dos atendimentos. São quase 200 animais por dia, é uma demanda realmente grande. Com uma unidade em Mogi, iriamos absorver essa demanda regional, por exemplo”, defendeu o veterinário.