Revolução Católica: Encíclica do Papa Francisco pede a preservação ambiental e climática

Papa Francisco
(Foto: Vincenzo Pinto/AFP)

Dia 18 de junho marcará a entrada da Igreja Católica na discussão sobre o clima e a preservação ambiental. O Vaticano divulgará a Encíclica Verde, a primeira carta da Igreja Católica em 298 edições a se preocupar com questões ambientais.

O documento foi divulgado pela revista italiana L’Espresso, que antecipou o rascunho da encíclica papal. No capítulo Diálogo sobre o Ambiente na Política Internacional, o papa diz que os acordos internacionais são urgentes para “estabelecer percursos negociados a fim de evitar catástrofes locais que acabam por prejudicar a todos”. Ao longo do texto, Francisco também critica os acordos climáticos elaborados no passado, como o Protocolo de Kyoto, e afirma que a questão ecológica engloba também aspectos culturais e espirituais e são tão importantes quanto os técnicos, econômicos e políticos.

O biólogo e sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo (16/06/2015), vê a atitude do papa de forma positiva. “O fato é que a encíclica chega num momento complexo para a defesa do meio ambiente em todo o planeta. Apesar do otimismo gerado pela Eco-92, pelo Protocolo de Kyoto (1997) sobre a redução da emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa e pelos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas (2000), os primeiros 15 anos deste século viram um aumento da degradação ambiental e o sacrifício das agendas conservacionistas em função do crescimento econômico”, afirmou. Neto completa que aumentou a frequência de desastres naturais por causas climáticas, como furacões e secas prolongadas.

As cartas são documentos papais transmitidos aos bispos e aos fiéis de todo o mundo e que não podem ser contraditos por ninguém da Igreja Católica. Durante a prece dominical de Ângelus, na Praça de São Pedro no Vaticano, no último dia 14, o Papa Francisco falou sobre a carta e afirmou que a encíclica está dirigida a todos que possam receber sua mensagem e crescer na responsabilidade para a casa comum que Deus nos confiou.

Para fazer o documento, o sumo pontífice da Igreja Católica teve muitos consultores. Entre eles estão os brasileiros: Leonardo Boff, teólogo, e o bispo da prelazia do Xingu, Erwin Kläuter.

A revista italiana disponibilizou a encíclica na íntegra para o download.