Grãos de café poderão substituir madeira na produção de nanofibras

(Foto: Freepik)

Por ano, mais de 6 milhões de grãos de café são produzidos no mundo e mais da metade dos grãos usados terminam em aterros sanitários. Agora, os grãos de café desperdiçados podem ter uma nova função na indústria. 

Pesquisadores da Universidade Nacional de Yokohama (YNU, sigla em inglês), no Japão, descobriram que é possível extrair nanofibras de celulose de grãos de café.

As nanofibras são usadas na construção das resinas plásticas e podem ser transformadas em produtos plásticos biodegradáveis. A demanda pelo material cresce em todo mundo pelo seu potencial de produzir plásticos sustentáveis.

A equipe de pesquisadores conseguiu isolar as nanofibras de celulose das paredes dos grãos por oxidação catalítica, um processo que oxida as paredes das células usando um catalisador. 

A partir da extração, os pesquisadores descobriram que as nanofibras são uniformes e com diâmetro de 25 nanômetros. Para se ter uma ideia, um cabelo humano mede cerca de 90 mil nanômetros de diâmetro. Além disso, as nanofibras se integram bem ao álcool polivinílico, o alicerce de uma variedade de produtos industriais e de consumo.

De acordo com os pesquisadores, essa consistência e integração com resinas poliméricas demonstram o potencial das nanofibras de celulose à base de café moído como substituto da madeira.

O professor associado da Escola de Pós-Graduação em Ciências de Engenharia da YNU e líder da pesquisa, Izuru Kawamura, explica que o objetivo é criar um sistema de reciclagem sustentável na indústria cafeeira.

“Restaurantes e cafés foram proibidos de usar canudos de uso único. Após esse movimento, pretendemos fazer uma xícara de café descartável transparente em um canudo com um aditivo composto por nanofibras de celulose a partir de borra de café”, explica.

Kawamura acredita que as nanofibras de celulose podem em breve desempenhar um papel importante na indústria automobilística, oferecendo uma alternativa leve ao aço e plástico para as carrocerias de automóveis. A adoção do material reduzirá a emissão de CO2.

 As resinas construídas em nanofibras também funcionam bem na impressão 3D, tornando-as uma alternativa ecológica aos plásticos à base de petróleo para uma série de produtos em potencial.

Apesar dos ótimos resultados, ainda são necessárias mais pesquisas para desenvolver um processo comercialmente viável.