Pesquisa aponta que bactérias podem anular efeitos de dois agrotóxicos

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Bactérias presentes nas folhas de laranjeiras produzem enzimas que conseguem degradar a bifentrina e o fipronil, dois dos principais agrotóxicos usados na citricultura. A descoberta é de pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo.

Os cientistas coletaram amostras de bactérias do gênero Bacillus extraídas  das folhas de laranjeiras de um pomar instalado em Tabatinga, no interior de São Paulo, para testes. As amostras foram colocadas em frascos com agroquímicos e após cinco dias, as bactérias haviam degradado 93% do fipronil e 83% da bifentrina.

Segundo os pesquisadores, as bactérias têm potencial para eliminar os agrotóxicos lançados no meio ambiente, resquícios nas plantações e evitar a contaminação de outros seres vivos. “Essa atividade dos microrganismos representa uma importante função ambiental de remediação desses produtos”, disse Juliana Viana, coordenadora do trabalho.

A pesquisa testou o desempenho de oito linhagens das bactérias Bacillus, de diferentes espécies, contra os agrotóxicos. Elas degradaram em 81% o fipronil e em 51% a bifentrina.

Os agrotóxicos fipronil e bifentrina são utilizados no Brasil como inseticida e formicida em culturas, como citros, tomate, batata, milho, arroz, soja ou feijão. O fipronil também é usado para matar pulgas e carrapatos em cães, podendo gerar riscos aos animais, se administrado incorretamente. Em abelhas, os dois produtos são capazes de matar os animais.