Mitos & Verdades: Bactéria come pet?

(Foto: Reprodução/ Hypeness)

O título parece ser enganoso, mas, na realidade, não o é. Antes de qualquer coisa, vamos esclarecer que não se trata de “pet”, animalzinho de estimação, e, sim daquele plástico bastante utilizado na fabricação de garrafas de refrigerantes.

Pesquisadores japoneses descobriram uma bactéria, batizada de Ideonellasakaiensis, que é capaz de “comer” o referido material.

Embora se trate de um material facilmente reciclável, muito pouco dele (polietileno tereftalato) produzido no mundo é de fato reaproveitado.

Os pesquisadores vêm adotando duas estratégias para lidar com o acúmulo de plásticos no meio ambiente.

Uma linha de pesquisa popular envolve a busca por plásticos biodegradáveis, que se decomponham ao longo do tempo. Mas esses materiais costumam ser mais caros e difíceis de produzir do que os plásticos comuns.

Shosuke Yoshida e seus colegas do Instituto de Tecnologia de Quioto (Japão) adotaram a segunda rota: a partir de um plástico barato e popular – o pet – foram procurar na natureza um organismo vivo capaz de decompô-lo.

“Ao fazer a triagem de comunidades microbiais naturais expostas ao pet no meio ambiente, isolamos uma nova bactéria. Essa cepa produz duas enzimas capazes de hidrolisar o pet,” relata a equipe.

Essas enzimas, juntas, convertem o pet em ácido tereftálico e etileno glicol. Em um comentário sobre a descoberta, publicado pela revista Science, o pesquisador alemão Uwe Bornscheuer afirma que a bactéria poderá se mostrar útil para retirar o plástico do ambiente.

“Se o ácido tereftálico puder ser isolado e reutilizado, isso poderia gerar enormes economias na produção de novos polímeros, sem a necessidade de matérias-primas baseadas em petróleo,” disse Bornscheuer.

Fonte: Jornal da Unicamp