Estilista afirma que sustentabilidade é o novo controle de qualidade

(Foto: Luciana Almeida)

Os consumidores querem um armário cápsula, com roupas que saem do básico. Mas, mais do que isso, querem peças inclusivas e que unem tecnologia e sustentabilidade.

A conclusão é do designer e coordenador do Núcleo de Desenvolvimento do Inspiramais, Walter Rodrigues, que apresentou as tendências na cadeia da moda no Inspiramais – Salão de Design e Inovação de Materiais para Moda.

“A sustentabilidade não vai ser moda ou tendência, é o novo dogma social. Como marca e criadores de moda, não temos que pensar mais em seis meses, temos que pensar daqui a cinco anos. O futuro é amanhã. A sustentabilidade é o novo padrão de qualidade”, analisa o estilista em entrevista ao ONB.

“Nós vamos ter que trabalhar isso, não só na fábrica, no processo do fazer, mas na comunicação, visando com que o lojista também tenha opção, porque o consumidor está cobrando isso”, complementa.

Para Rodrigues, a sustentabilidade está sendo incorporada naturalmente e sendo impulsionada pelas redes sociais. A conectividade, a velocidade e a descentralização da informação produzem vários pontos de vista e com muitas referências à disposição dos consumidores, o que muda a forma como vêem e consomem determinado produto.

“Os próprios consumidores estão buscando marcas sustentáveis. É o consumidor que vai fazer a demanda. Como nós vamos proceder nos processos de fabricação e de descarte é a população que vai cobrar isso da moda”, disse.

Para Walter Rodrigues, a moda brasileira passa por um momento importante de ajuste devido à crise econômica. A moda seguirá ligada aos movimentos de transformação da sociedade, com tendências e demandas criadas pelo street style.

A mudança nos hábitos de consumo e na demanda do consumidor por roupas, calçados, mobiliários e acessórios de empresas com engajamento sustentável ficou evidente na 20ª edição do Inspiramais, evento que acontece até esta quarta-feira (15) em São Paulo, onde são apresentados mais de mil lançamentos, como materiais feitos a partir de resíduos industriais e couro feito com curtimento natural, ao invés do cromo.

O estilista acredita que o Brasil pode se tornar referência internacional em sustentabilidade na moda. “Nós acreditamos que o Brasil pode se tornar o país que vai divulgar e sustentar a ideia de práticas sustentáveis mais fortes. A própria natureza que nos rodeia nos inspira a isso”.