Recikle lança calça jeans ecológica e inclusiva

(Foto: Recikle)

O denim é um dos tecidos com maior impacto ambiental. Para produzir e manter a vida útil de uma única calça jeans durante cinco anos, por exemplo, são necessários cerca de 5.200 litros de água, segundo um estudo feito pela Vicunha Têxtil, o Movimento Ecoera e a consultoria H₂O Company. Outro levantamento realizado pela empresa W-Energy aponta que a fabricação da calça jeans pode consumir 10 mil litros de água. 

Estimular a conscientização do consumo e fazer a diferença na vida das pessoas através da moda é o que move os empreendedores Rafael Felsemburg e Bárbara Paiva, a frente da Recikle, marca de roupas sustentáveis.

A empresa, que une o social ao ecológico, lança sua primeira linha de calças jeans ecológicas feita totalmente no Brasil. Produzidas pela Vicunha, fábrica especializada em jeans, as peças são confeccionadas com fibras de algodão e sobras de fios reciclados, que seriam descartadas após a confecção de outros denins. 

Os restos de tecido são coletados no maquinário da fábrica e desfibrados. Então a fibra é refeita e vai para o tear sem tingimento, para gerar o novo tecido. O reúso de material reduz em 95% o consumo de água e em 90% os químicos, além de dispensar a necessidade de lavagens industriais.  

Com a linha de calças jeans, a Recikle amplia a sua coleção de roupas, que possui camisetas e camisas polo, feitas com algodão orgânico, poliéster de garrafa pet reciclada e tecido biodegradável.

As blusas são confeccionadas em ateliês de cooperativas de mulheres em comunidades carentes de Santo André e no Capão Redondo (SP). Mas a falta de ateliês éticos na produção de jeans foi um obstáculo para os empreendedores.

No topo à esquerda, Bárbara Paiva, à direita, Luana Minei, e embaixo, Rafael Felsemburg (Foto: Recikle)

“Encontramos ateliês sem transparência na prestação de contas, sobretudo em torno da remuneração do pessoal de costura. Outros estavam instalados em locais insalubres”, conta Rafael. “Queríamos encontrar um lugar que valorizasse as pessoas, fosse transparente e que proporcionasse todos os valores que a gente acredita”, acrescentou Bárbara.

Criada em 2014, a Recikle nasceu da vontade do, então profissional de TI, Rafael Felsemburg, de mudar a sua vida e encontrar um propósito real. Após muitas dificuldades pessoais, em 2017, Rafael se uniu a Bárbara Paiva, que assumiu o posto de sócia-proprietária da empresa por ter afinidade e experiência com a produção de roupas.

Apesar do nome remeter a reciclagem, a Recikle quer estimular o cliente a reciclar o seu pensamento, a forma que pensa, sobre quem é e como isso vai repercutir de diversas formas na sua vida.

Inclusão

As calças estão disponíveis em dois modelos. A Amaranto, uma peça com modelo slim e gancho do lado do bolso frontal para pendurar chaves pensada para os homens. E a  Amarilis, um mom jeans de cintura alta desenhada para se adequar ao corpo feminino. Os dois modelos estão disponíveis do tamanho 36 ao 46.

Por não querer padronizar o tamanho, o grande diferencial na hora da compra é que o consumidor escolhe a peça pela medida da cintura e do comprimento da perna, e não pelo tamanho convencional.

“O mercado fala que o tamanho é padronizado, mas cada marca tem o seu padrão. Então a gente quer incentivar o consumidor a saber a sua medida. Como o cliente não está acostumado a consumir desta forma, a gente atrela os centímetros dele ao tamanho equivalente no mercado. Nós não queremos colocar rótulos, nós acreditamos na inclusão”, ressalta Bárbara.

Ser uma empresa inclusiva é uma preocupação da Recikle. A intenção é que, nos próximos anos, a marca tenha uma variedade de tamanhos e atenda a um público diverso. Por ser uma marca pequena, a produção ainda é restrita. 

(Foto: Recikle)

Retorno ao mercado

A calça jeans ecológica e as camisas polo marcam o relançamento da Recikle no mercado, após uma mudança estratégica. Com uma nova identidade visual, a empresa deixa de atender apenas o atacado e passa a vender no varejo para atingir e conscientizar o maior número de pessoas possível.

“A conscientização é um processo. Você tem que começar a se tornar mais consciente dos atos que faz. Não é só no ato da compra e na escolha de um produto sustentável. É pensar na sua forma de consumo. E no atacado, nós não tínhamos tanta força nisso, é mais difícil de conscientizar”, explica Paiva.

A expectativa é desenvolver novos produtos, com tecidos e modelagens diferentes. A Recikle já prepara a sua linha de roupas esportivas.

As novas peças chegam ao e-commerce da marca até o fim do mês: https://recikle.com.br