58 mil casos de dengue estão fora das estatísticas

(Foto: AFP/Photo Patrice Coppee)

O jornal O Estado de S.Paulo publicou, nesta quinta-feira (17), reportagem que denuncia a divergência entre os registros no número de casos de dengue em São Paulo. Segundo a matéria, 58,2 mil casos confirmados de dengue no estado não foram inseridos nas estatísticas desde janeiro, devido a falhas no sistema federal de notificação de dengue e a demora na atualização do sistema estadual.

Comparando os dados catalogados pelos municípios e pela Secretaria Estadual da Saúde, o jornal descobriu que os números apresentados por 11 das 20 cidades paulistas sobre casos autóctones são incompatíveis. A maior desigualdade foi na capital, em que foram confirmados 100.431 casos em 2015, dos quais apenas 45.359 estão registrados. Nos dois primeiros meses do ano, foram contabilizados 1.983 casos, mas o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) registrou apenas 67.

As cidades que também apresentam divergências são: Rio Claro, Hortolândia, Guarulhos e Bebedouro.

Há também casos em que o número fornecido pela prefeitura é menor que o balanço estadual, como é o caso de São José do Rio Preto, onde foram registrados 21.653 casos no município e constam 22.012 no Estado. Bauru, Campinas e Caraguatatuba também apresentam índices similares. A única cidade que apresentou os mesmos dados estaduais e municipais foi São José dos Campos.

A reportagem questionou a Secretaria Estadual da Saúde, que informou que os boletins do CVE “refletem a cópia fiel dos registros feitos pelas secretarias municipais no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) – plataforma online do Ministério da Saúde – nas datas em que foram publicados”.

Em contrapartida, quatro municípios declararam que a instabilidade do sistema impediu a atualização dos dados e pode ser a responsável pela desigualdade dos números. As outras cidades afirmaram que a demora para atualizar os dados pelo CVE pode ser a causa das divergências.

Para o epidemiologista da Faculdade de Medicina da USP, Eduardo Massad, a diferença nos números pode interferir no planejamento de ações e políticas públicas, mas o Sinan ainda é um banco de dados “80% confiável e aproveitável. Temos que trabalhar para aperfeiçoá-lo”.