Mosquitos podem ser usados para disseminar larvicida, aponta estudo

(Foto: Marvin Recinos/ AFP)

O próprio Aedes aegypti, mosquito transmissor do zika vírus, da dengue, chikungunya e febre amarela, pode atuar no controle de surtos epidemiológicos dessas doenças. É o que aponta um estudo realizado pela Fiocruz Amazônia, divulgado nesta segunda-feira (06).

Realizada entre fevereiro de 2014 e janeiro de 2016, a pesquisa concluiu que os próprios mosquitos têm a capacidade de disseminar o larvicida Pyriproxyfen em criadouros aquáticos, mesmo em diferentes cenários. A armadilha foi chamada pelos pesquisadores de Estação Disseminadora de Larvicida.

Para a pesquisa, foram selecionadas 100 habitações em Manacapuru, município do Amazonas, distribuídas pela cidade para estudar o comportamento e as populações locais dos mosquitos. Em seguida, foram distribuídas por todo o município mil estações disseminadoras de larvicida – recipientes com as paredes cobertas por um ano preto tratado com pó de Pyriproxyfen.

Após 15 dias, o número de larvas do Aedes aegypti caiu de 80 a 90%, a mortalidade das larvas também aumentou com o uso da substância, o número de mosquitos adultos surgindo dos criadouros despencou em mais de 95% na cidade inteira, de forma que a emergência de fêmeas de Aedes caiu de 500-600 por mês antes da intervenção, para um mínimo de uma única fêmea no sexto mês de disseminação.

Segundo os pesquisadores, com a redução drástica de fêmeas de Aedes na cidade, o número de mosquitos restantes não seria suficiente para a transmissão do vírus e o surto desapareceria rapidamente, sem alcançar dimensões de epidemia.

Neste ano, novos testes devem ser feitos em cidades maiores e cenários ecológicos e socioeconômicos diversos, para medir diretamente o impacto da intervenção na transmissão de doença e comprovar os resultados das pesquisas.