Anvisa conclui que glifosato não é cancerígeno

(Foto: FAO)

A substância é usada em 110 agrotóxicos comercializados no Brasil e produzidos por 29 empresas diferentes. Apenas em 2017, cerca de 173 mil toneladas de produtos com glifosato foram usadas nas plantações.

Sobre a possibilidade de intoxicação aguda, a Anvisa analisou 22 mil amostras de água e constatou que cerca de 26% continham traços de glifosato e 0,03% das amostras continham glifosato acima do limite permitido.

O máximo a que a população pode estar exposta é de 4,37% da quantidade que poderia gerar intoxicação.

“Glifosato não se enquadra em critérios de proibição. Nossa recomendação é para a manutenção da permissão da substância e pela adoção de medidas de mitigação de risco”, afirmou Daniel Roberto Coradi, da GGTOX, a área de análise toxicológica da Anvisa.

Para trabalhadores, o limite de exposição diária deve ser de 0,1 ml por kg de peso corporal.

Segundo o órgão, mais de 60% dos trabalhadores que aplicam os agrotóxicos não completaram o ensino fundamental.

Apesar dos resultados, a agência só finalizará a regulamentação  após o encerramento de uma consulta pública, que terá duração de 90 dias.

A análise vêm em um meio a uma batalha legal nos Estados Unidos sobre casos de câncer supostamente causados pelo glifosato. No ano passado, a Monsanto foi condenada a pagar US$78 milhões após um júri concluir que o Roundup – agrotóxico que tem glifosato em sua composição – causou câncer em um jardineiro e a empresa não alertou os clientes sobre o risco do produto.

** Com informações da BBC