Anvisa ignora agrotóxicos ilegais em alimentos em novo relatório

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a nova edição do relatório do Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). O documento apresenta os resultados da análise toxicológica de 12 mil amostras de alimentos coletadas entre 2013 e 2015 em todo o país.

Ao todo, foram avaliados 25 tipos de alimentos, entre cereais, frutas, leguminosas, hortaliças e raízes, que representam mais de 70% dos alimentos de origem vegetal consumidos pelos brasileiros.

De acordo com o relatório, quase 99% das amostras estão livres de resíduos de agrotóxicos que apresentam “risco agudo” para a saúde, ou seja, que podem provocar intoxicação alimentar em até 24 horas após o consumo.

A laranja apresenta o maior risco de contaminação por agrotóxico. Das 744 amostras, 684 foram consideradas satisfatórias e 141 não apresentaram resíduos, sendo que 11% dos alimentos avaliados mostraram situações de risco relativas ao carbofurano – agrotóxico em processo de reavaliação na Anvisa.

O abacaxi também merece atenção, tendo potencial de risco ao agrotóxico carbendazim. Produtos, como o mamão, o feijão, abobrinha e pimentão, tiveram o índice aceitável em 99% das amostras.

Os índices de satisfação, no entanto, foram contestados por diversos movimentos. As entidades que compõem a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida repudiaram o documento, que apresenta uma “clara tentativa de ocultar problemas causados pelos agrotóxicos no Brasil”.

Entre os problemas encontrados no relatório do PARA estão: a diminuição do número total de agrotóxicos e não menciona os agrotóxicos glifosato e 2,4-D, presente em 56% dos alimentos consumidos de acordo com o Ibama; para cada cultura, a quantidade de amostras por ingrediente ativo é irregular. Outra questão levantada é que se 20% dos agrotóxicos são contrabandeados, segundo o Sindiveg, como a Anvisa analisou estes venenos “desconhecidos”?

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) notou que “neste ano os resultados foram apresentados de forma diferente dos anos anteriores, dificultando a comparação dos dados. Além disso, pela primeira vez, foi incluído o risco de intoxicação aguda, ou seja, o risco de ocorrerem problemas de saúde até 24 horas após a ingestão do alimento”. Fazendo com que vários indicadores de irregularidades tivessem que ser recalculados.

De acordo com o Idec, o pimentão continua o mais “problemático”, com 89% das amostras irregulares (agrotóxicos acima do limite permitido e/ou proibido para essa cultura). Seguido pela abobrinha com 78% (em 2012 eram 48%) e a uva, com 75% (em 2012 eram 29%). Quando se considera apenas a presença de resíduos de agrotóxicos acima do LMR, o morango é o “campeão”, seguido do abacaxi e da uva.

Iniciado em 2001, o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) tem como objetivo avaliar os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos que chegam aos consumidores, sendo um indicador da ocorrência de resíduos de agrotóxicos em alimentos. Os resultados do relatório são um ponto de partida para que a Anvisa adote ações mitigatórias.

Para saber mais sobre o programa, acesse: http://portal.anvisa.gov.br/programa-de-analise-de-registro-de-agrotoxicos-para