Áreas rurais estão com intoxicação aguda por agrotóxico

(Foto: Pixabay)

Sete locais rurais no Brasil, incluindo comunidades quilombolas, indígenas e escolas,  estão com intoxicação aguda devido ao uso de agrotóxicos, revela novo relatório da organização internacional Human Rights Watch (HRW).

A organização entrevistou 73 pessoas que moram na Bahia, Pará, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás. Os entrevistados relataram sintomas, como: vômito, diarreia, dormência, irritação nos olhos, dor de cabeça e tontura.

Para pulverizar esses produtos é necessário uma margem de segurança de, pelo menos, 500 metros até cidades, vilas, bairros e mananciais de água para abastecimento. Entretanto, de acordo com o relatório, muitas vezes, os pesticidas são pulverizados sem respeitar os limites, em relação às comunidades próximas.

“Não existe nenhuma proibição no Brasil semelhante [à aérea] para a pulverização terrestre. Ou seja: é legal que um agricultor ou fazendeiro pulverize agrotóxico do lado da sala de aula, por exemplo”, explica Maria Laura Canineu, diretora da HRW no Brasil, ao G1.

Segundo a diretora, foram relatados registros de intimidação na maioria das regiões da pesquisa por utilizadores de agrotóxicos. “Há um clima enorme intimidação nestas áreas. Por que as pessoas não falam mais disso? Por que elas têm medo de denunciar. Das sete localidades, em cinco, os moradores falaram de ameaças, inclusive de morte”, contou.

O estudo também reforça a sua posição e de outras entidades contra o projeto de lei que quer mudar a legislação dos agrotóxicos e faz uma série de recomendações a diferentes órgãos do governo.

Na lista de recomendações estão: criar zonas de segurança em torno de locais sensíveis para todas as formas de pulverização terrestre; conduzir um estudo sobre os principais efeitos à saúde e os custos associados à exposição aguda e crônica a agrotóxicos; e realizar uma avaliação nacional das escolas sob o risco de exposição à pulverização de pesticidas.

** Com informações do G1