Brasil permite uso de agrotóxicos 5 mil vezes superior ao da Europa

(Foto: Pixabay)

Estudo inédito da pesquisadora Larissa Miles Bombardi, da USP, constatou que existe um “abismo” na legislação do Brasil e da União Europeia sobre a quantidade de agrotóxicos presentes em alimentos e na água.

De acordo com o estudo, a União Europeia determina que a quantidade máxima de glifosato encontrado na água potável seja de 0,1 miligramas por litro, enquanto no Brasil, a substância pode ultrapassar este valor em até 500 vezes.

Para se ter uma ideia, o Brasil permite que a contaminação da água tenha uma quantidade 5 mil vezes superior de agrotóxicos ao limite determinado na Europa. Em relação ao feijão, a lei brasileira autoriza o uso de uma quantidade 400 vezes superior ao europeu.

Atualmente, o Brasil permite o uso de 504 agrotóxicos. Destes, 30% são proibidos na União Europeia, alguns há mais de 10 anos, como o acefato, um inseticida usado nas plantações de cítricos.

Segundo uma nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), citada no estudo, o acefato pode causar fraqueza muscular dos pulmões e do pescoço.

A pesquisa ainda revela que oito brasileiros são contaminados por dia, sendo os trabalhadores rurais as principais vítimas, seguidos pelas pessoas que vivem próximas as plantações que estão sendo pulverizadas.

Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo e entre 2000 e 2014, teve um aumento de 194% na quantidade utilizada.

Procurada pela reportagem do UOL, a Anvisa informou que “realiza a avaliação toxicológica dos agrotóxicos, antes de os mesmos serem registrados pelo Ministério da Agricultura” e que há uma série de restrições para o registro destes produtos no país.

** A matéria na íntegra pode ser lida no UOL