Estudos que defendem glifosato foram manipulados pela Monsanto

(Foto: REUTERS/ Benoit Tessier/ File Photo)

A revista Critical Reviews in Toxicology, que analisa riscos de produtos químicos à saúde, anunciou que emitirá uma “manifestação de preocupação” sobre artigos a respeito da segurança do agrotóxico Roundup, da Monsanto.

Segundo a publicação, os autores dos artigos “não conseguiram fornecer uma explicação adequada para o motivo pelo qual o nível de transparência exigido não foi alcançado na primeira apresentação”.

A correção pode reforçar os argumentos de que a Monsanto escreveu artigos científicos sem se identificar, para rebater as alegações de que o glifosato, um dos principais compostos químicos do Roundup, provoca câncer.

Durante o julgamento do jardineiro Dewayne Johnson surgiram e-mails internos que revelaram o envolvimento de cientistas da empresa na organização, na revisão e na edição de versões de artigos.

A Bayer, dona da Monsanto, enfrenta mais de 9.500 processos nos Estados Unidos, sendo a maioria de agricultores que culpam a exposição ao glifosato por linfomas não Hodgkin. O próximo julgamento pode ocorrer entre dezembro e fevereiro.

Abelhas

Um estudo publicado, nesta semana, pela Universidade do Texas aponta que o glifosato está afetando o microbioma intestinal das abelhas e as deixando vulneráveis à infecções.

O motivo é o princípio ativo N-(fosfonometil)glicina, que mata as bactérias presentes no trato digestivo, que ajudam no desenvolvimento de bactérias.

“Estudos em humanos, abelhas e outros animais mostraram que o microbioma intestinal é uma comunidade estável que resiste à infecção por invasores oportunistas. Se você interromper a comunidade normal e estável, estará mais suscetível a essa invasão de patógenos”, explica Nancy Moran, autora da pesquisa.

** Com informações da Bloomberg e Hypeness