Ministra da Agricultura defende registro de novos agrotóxicos

(Foto: Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados)

A autorização de novos agrotóxicos pelo governo foi defendida pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, durante comissão na Câmara dos Deputados.

Cerca de 70% dos agrotóxicos foram protocolados há mais de quatro anos e mais de 1.500 produtos ainda estão à espera de registro na Anvisa.

A ministra atribui à demora na aprovação dos defensivos no Brasil o aumento no uso de produtos contrabandeados, sem nenhum tipo de controle. “Cada vez que deixamos por seis, oito anos um produto, eles acabam entrando de forma ilegal e isso que traz transtornos para o campo, o meio ambiente, para as pessoas. Precisamos fiscalizar e combater falsificação e contrabando, que está na faixa de 20% do mercado. Isso é muito sério”, disse.

Ela ainda alertou que os pequenos produtores são os que mais sofrem intoxicações com os usos de agrotóxicos e que o Ministério da Agricultura pretende intensificar a capacitação para o uso destes produtos.

Nos últimos anos, os registros de agrotóxicos passaram de 139, em 2015, para mais de 450 em 2018. Entre janeiro e março deste ano, foram liberados 121 produtos, uma média de 1,3 autorizações por dia. Se a tendência continuar, serão autorizados 507 novos produtos, 12% a mais do que o ano passado.

Dos 93 defensivos registrados em 2019, 49 desses produtos eram pra uso industrial – para se fazer um agrotóxico -, 42 foram formulados químicos para aplicação direta e sete produtos de baixa toxicidade (biológicos ou para a agricultura orgânica), segundo a ministra.

Deputados questionaram Tereza Cristina sobre o uso de glifosato, substância considerada cancerígena e que fez a Bayer ser condenada nos Estados Unidos.

“Não existe ainda outro produto que substitua o glifosato. Por que tem essa polêmica toda? O glifosato, para ser banido, precisa ser substituído. Se for usado de maneira correta, com equipamento, diminui muito o risco”, afirmou.

Para o deputado Alexandre Padilha, essa liberação ostensiva de produtos que são proibidos em outros países pode colocar em risco a população. “É muito grave a gente estar liberando produtos classificados como extremamente tóxicos, altamente tóxicos ou medianamente tóxicos pelo Ministério da Saúde”.

** Com informações da Agência Câmara