Pruitt libera uso de inseticida na agricultura

(Foto: Gabriella Demczuk/ The New York Times)

O presidente da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos, Scott Pruitt, rejeitou a conclusão científica dos especialistas químicos apresentada pela organização que comanda sobre os danos causados pelo uso do inseticida clorpirifós na agricultura. A decisão também vai contra o apelo de duas organizações ambientais para proibir completamente o uso da substância.

Com base em pesquisas conduzidas pela Universidade Colúmbia, cientistas da EPA concluíram que a exposição ao clorpirifós – que está em uso desde 1965 – pode provocar danos sérios à saúde, principalmente em crianças e trabalhadores agrícolas, como o declínio da memória e a capacidade de aprendizado.

A utilização do produto em ambientes domésticos foi proibida em 2000, mas a substância continua sendo usada em cerca de 40 mil fazendas para prevenir pragas em aproximadamente 50 diferentes tipos de culturas.

A Dow Chemical, que vende o produto pela marca Lorsban, e organizações de agricultores contestaram o estudo, argumentando que as provas científicas não eram conclusivas, principalmente quando ele é usado da maneira correta para combater insetos.

Isso levou a equipe a revisar a maneira pela qual havia justificado as suas conclusões quanto aos danos, mas os cientistas mantiveram o seu posicionamento de proibir o produto.

Em um anúncio, Pruitt afirmou que a EPA precisava melhorar o aspecto científico do caso. “Precisamos oferecer certeza regulatória, às milhares de fazendas americanas que dependem do clorpirifós, e ao mesmo tempo proteger a saúde humana e o meio ambiente. Ao reverter às medidas do governo anterior quanto à proibição de um dos pesticidas mais usados no mundo, estamos retornando ao uso de ciência sólida nos nossos processos decisórios – em lugar de trabalharmos com resultados predeterminados”.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apoiou a decisão. Em comunicado, a diretora do Escritório de Administração de Controle de Pestes do Departamento, Sheryl Kunickis, afirmou que “isso significa que um instrumento importante para o controle de pestes continuará disponível para os agricultores, o que ajuda a garantir um suprimento de alimentos abundante e de preço acessível para a nação”.

Ao rejeitar a proibição do pesticida, Pruitt promoveu o que é conhecido como “uma ação final de agência”, ou seja, a questão não será revisada até 2022, próxima ocasião em que a EPA deve revisar formalmente a segurança do pesticida.

A decisão de Pruitt foi condenada por grupos ambientais, que afirmaram que ela demonstrava que o governo Trump se interessava mais por atender aos interesses de grandes empresas do que em proteger e zelar pela saúde e segurança das famílias americanas.

“Temos uma lei que requer que a EPA proíba pesticidas cujo uso ela não possa considerar seguro, e a EPA afirmou repetidamente que esse produto não é seguro”, disse Patti Goldman, advogada e diretora da Earthjustice, uma organização ambientalista que opera como braço jurídico do Conselho de Defesa de Recursos Naturais e da Rede de Ação contra Pesticidas da América do Norte, que em 2007 apresentaram uma petição pela proibição do produto.

Os grupos ambientais pretendem retornar ao tribunal federal de recursos americano para solicitar aos juízes que ordenem que a EPA “aja para proteger as crianças contra esse pesticida”.

** Com informações do New York Times