Quantidade de agrotóxicos está 36% acima do limite em alimentos

(Foto: Pixabay)

Alimentos comercializados nos centros de distribuição de São Paulo e do Distrito Federal apresentam alta concentração de agrotóxicos ou pesticidas totalmente proibidos no Brasil, revela o novo relatório do Greenpeace.

De acordo com o estudo “Segura este abacaxi: os agrotóxicos que vão parar na sua mesa”, 36% dos 12 alimentos comuns testados pela organização apresentaram algum tipo de irregularidade, como a presença de produtos proibidos para uma cultura específica ou resíduos acima do limite permitido por lei. Cerca de 60% das amostras tinham algum tipo de resíduo.

Para realizar a pesquisa, foram testados 113 kg de alimentos. Parte dos produtos foi escolhida por estarem presentes na dieta cotidiana dos brasileiros e outra por apresentarem altos índices de agrotóxicos.

São eles: arroz branco e integral, o feijão preto e carioca, o mamão formosa, o tomate, a couve, o pimentão verde, a laranja, a banana nanica, a banana preta e o café.

“A nossa amostra é pequena e o objetivo do estudo não foi o monitoramento, que deve ser feito pelo governo, mas de mostrar que estamos colocando agrotóxico todos os dias na mesa”, disse Marina Lacôrte, especialista do Greenpeace em Agricultura e Alimentação, ao G1. “Desafiamos qualquer centro a realizar o teste. Vai encontrar agrotóxico”, comenta.

Uma das preocupações do Greenpeace é a presença de mais de um tipo de agrotóxico nos alimentos, o que pode gerar um “efeito coquetel”.

Apenas no pimentão, por exemplo, foram encontrados sete tipos de agrotóxicos, inclusive de resíduos proibidos. Em três das quatro mostras de mamão foram encontrados quatro tipos diferentes de resíduos, sendo um deles o famoxadona, pesticida proibido na fruta.

“Estudos experimentais em animais mostram que a ingestão de misturas de agrotóxicos podem ser mais tóxicas. Estudos com populações expostas ambientalmente a vários agrotóxicos também mostram a possibilidade de interação”, explicou Karen Friedrich, toxicologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), ao G1.

Neste sentido, a rastreabilidade dos alimentos é importante para orientar os agricultores. “Isso significa pegar aquele alimento, identificar o produtor, fiscalizar e orientar sobre modos de produção sem agrotóxicos”, disse Friedrich.

Petição e Projeto de Lei

Para mudar esta realidade, o Greenpeace criou a petição #ChegaDeAgrotóxicos para a aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PRONARA), um projeto de lei (PL 6670/ 2016) que visa reduzir progressivamente o uso de agrotóxicos nas plantações.

Atualmente, existem projetos de lei que visam incentivar o uso de mais agrotóxicos na produção de alimentos. A principal ofensiva é o Projeto de Lei 6299/ 2002. Conhecido como PL do Veneno, a iniciativa irá enfraquecer a atual legislação de agrotóxicos, liberando o uso de mais substâncias, alterar o nome de “agrotóxicos” para “defensivos fitossanitários”, e reduzir o papel de órgãos fundamentais no processo de avaliação e aprovação dessas substâncias.

** Com informações do G1 e do Greenpeace