Rio Grande do Sul suspende uso do herbicida 2,4-D até o fim do ano

avião pulverizando a plantação
(Foto: Pixabay)

O grupo de trabalho da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Sepadr) do Rio Grande do Sul decidiu suspender o uso do herbicida 2,4-D até 31 de dezembro em todo o estado.

Desde 2013, o 2,4-D é o segundo ingrediente ativo de agrotóxico mais vendido no Brasil, atrás apenas no glifosato. Segundo o Ibama, cerca de 60 mil toneladas do ingrediente foram comercializadas em 2017.

A decisão também atende a recomendação do Ministério Público (MP) após análises químicas confirmarem a presença do agrotóxico em propriedades. Das 143 amostras analisadas, o resultado deu positivo para o 2,4-D em 132 amostras, cerca de 92,3%.

Segundo o MP, as análises foram feitas após produtores rurais denunciarem a suspeita de derivas do herbicida e outros agrotóxicos. A deriva ocorre quando o defensivo agrícola não atinge o local desejado em uma propriedade e se desloca para outras áreas através do vento, contaminando outras culturas.

No total, 103 propriedades foram afetadas pela deriva. Os municípios com maior número de laudos positivos para 2,4-D foram Jaguari (27), Dom Pedrito (7), Santiago (6), Santana do Livramento (5), São Sepé (4), São Borja (4) e Bagé (4).

Em dezembro do ano passado, produtores de uvas viníferas da região da Campanha, no município de Jaguari (RS), e representantes do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) se reuniram com o Ministério Público Estadual, para pedir a suspensão do uso do agrotóxico 2,4-D no Rio Grande do Sul.

Quando o 2,4-D entra em contato com outras culturas atrofia o sistema hormonal. De acordo com os testes, foram verificadas perdas de 40% a 90% em propriedades que cultivam videiras e oliveiras no estado.

Estudo feito pelo Ibravin projeta um prejuízo de R$94,02 milhões e uma queda de 32% na colheita atual da uva causadas pelo agrotóxico, aplicado no pré-plantio de soja.

** Com informações do G1