Ativista ajuda Dinamarca a reduzir desperdício de comida em 25%

(Foto: Facebook/ Stop Spild Af Mad)

O desperdício de alimentos é um dos problemas graves enfrentados pela humanidade. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), aproximadamente 30% de tudo o que é produzido no mundo é desperdiçado e perdido antes de chegar à mesa do consumidor, causando um prejuízo de US$ 940 bilhões por ano, o correspondente a cerca de R$3 trilhões.

Na Dinamarca, a população conseguiu reduzir as perdas de alimento em 25%, nos últimos 5 anos, em parte graças a iniciativa Stop Spild Af Mad (Pare de desperdiçar comida), criada pela designer gráfica russa Selina Jull.

Com o colapso do comunismo na Rússia e, consequentemente, da infraestrutura do país, Selina se mudou para a Dinamarca na década de 1990, aos 13 anos, em busca de melhores condições de vida e se deparou com a abundância de alimentos oferecida no país.

“Eu vim de um país onde havia escassez de alimento. Quando o comunismo entrou em colapso, houve também o colapso da infraestrutura. Não tínhamos certeza de que teríamos comida na mesa. Então cheguei à Dinamarca e vi esta abundância de alimentos, vi os supermercados cheios de comida…”, contou Juul em entrevista a BBC.

Anos depois, após trabalhar na padaria de um supermercado, Selina percebeu o quanto era desperdiçado diariamente. Então, em 2008, ela iniciou a campanha Stop Spild Af Mad nas redes sociais, para incentivar o fim do desperdício de alimentos. Em menos de duas semanas, o assunto teve destaque nacional.

Após a campanha nas redes, ela foi contratada pela maior cadeia de supermercados com descontos massivos do país, a REMA 1000, para ajudar a encontrar formas de impedir o desperdício de alimentos em suas 283 lojas.

Entre as soluções adotadas está a substituição de descontos do tipo “leve 2 ou 3 e pague menos” para alimentos por descontos para itens unitários. “Nós desperdiçávamos cerca de 80 ou 100 bananas por dia. Depois que colocamos o desconto em bananas unitárias, com a placa ‘Me leve, estou sozinho’, conseguimos reduzir o desperdício em 90%”, conta Max Skov Hansen, de uma das lojas REMA 1000.

Outros supermercados seguiram esse e outros exemplos – como a ideia de reduzir a produção própria de pães e produtos de confeitaria, que eram desperdiçados às milhares de toneladas no país a cada ano.

Porém isso não era suficiente para Jull. A ativista criou um programa de educação sobre o assunto em escolas, presta consultoria a três governos regionais e lançou um livro de culinária com sobras de comida.

“O desperdício é algo desrespeitoso”, comenta Juul. “É a falta de respeito com a natureza, com a sociedade, com as pessoas que produzem, com os animais. É ainda uma falta de respeito com seu tempo e dinheiro porque você está jogando fora a comida que você comprou”, finaliza.

Atualmente, o governo dinamarquês ajuda na campanha de Jull e investe em programas que reduzam o desperdício, como uma iniciativa que une o setor público e privado. Porém estima-se que a Dinamarca ainda destine 700 mil toneladas de comida ao lixo por ano.

Para saber mais sobre a iniciativa, acesse: http://www.stopspildafmad.dk/

** Com informações da BBC Brasil