Cariocas se preocupam com alimentos saudáveis na pandemia

(Foto: Unsplash)

O consumidor do estado do Rio de Janeiro passou a consumir mais açúcar durante a pandemia, revelou levantamento da Associação de Supermercados do Rio (ASSERJ), apresentado nesta terça-feira (01) com dados inéditos sobre a pandemia no setor supermercadista.

A pesquisa constatou um aumento de 72% no consumo de leite UHT entre 12 de março e 11 de agosto de 2020, em relação ao mesmo período do ano passado. Seguido pelo biscoito recheado (67%), o chocolate em barra (43%), carnes (40%) e o pão francês (30%).

“A alta já era esperada, pois com as pessoas passando a maior parte do tempo em casa, a tendência é descontar a ansiedade nesses itens com mais açúcar”, analisa Fabio Queiroz, presidente da ASSERJ e vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). “Hoje, já não vemos mais essa disparidade devido a recessão econômica”, complementou.

Ao ONB, Queiroz disse que houve uma redução no consumo de frutas, verduras e legumes (FLV) no início da pandemia. Mas a tendência não se consolidou e, hoje, os consumidores voltaram a se preocupar com a saudabilidade.

“No início [da pandemia], vimos uma queda [nas vendas], porque os consumidores preferiram produtos prontos para um consumo mais imediato e com menos trabalho no preparo. Mas isso não se consolidou. A gente vê um consumidor agora extremamente preocupado com a saudabilidade. O Rio de Janeiro tem essa característica”, disse.

Uma pesquisa recente feita pela PMA constatou que o consumo de produtos frescos se manteve em junho no Brasil. 58% dos entrevistados compraram mais vegetais frescos e 56% mais frutas. Outro hábito adquirido pelo consumidor de FLV é prestar mais atenção à validade do produto, para reduzir a frequência de idas ao supermercado e está relacionado a questões financeiras.

Para o presidente da ASSERJ, será cada vez mais comum encontrar produtos saudáveis nos supermercados, inclusive de lojas especializadas no segmento. “Cada vez mais, a gente vê espaço de produtos saudáveis dentro das nossas lojas. A gente vê supermercados especializados e cuja marca se funde com a saudabilidade. Então estávamos preparados para esta tendência, que só reforça a nossa necessidade de cuidar mais desse segmento. Estamos preparados para atender esta nova demanda”.

Delivery

Os pedidos de delivery nos supermercados cresceram mais de 45% entre 12 de julho e 18 de agosto, em comparação com o período anterior. No acumulado dos cinco meses, a média ficou em 47,86%. Em relação ao e-commerce, as vendas subiram em quase 7% neste último mês. A média da pandemia é de 49,86%.

“É uma tendência que veio para ficar. 50% a mais de volume nos pedidos de delivery, feito por e-mail, WhatsApp e por telefone. É um novo comportamento do consumidor. O desafio logístico é muito grande. Precisamos investir mais nesse serviço e no atendimento online para atender melhor o consumidor”

Segundo Queiroz, o consumidor não é mais o mesmo desde o início da pandemia e não voltará para o nível de higienização pré-pandemia. “Elas vão priorizar lugares mais seguros, mais limpos. A preferência do consumidor é se sentir seguro com a higienização. Boas práticas de limpeza serão um diferencial no mercado”.

Questão financeira

O presidente da ASSERJ prevê impactos negativos no setor supermercadista para o segundo semestre com o anúncio da redução do auxílio emergencial e a alta do dólar.

Mesmo com os desafios, Queiroz acredita que manter a diversidade dos produtos nas gôndolas ajudará os supermercados a enfrentarem a crise.

“A gente espera um equilíbrio: uma redução do auxílio emergencial e, ao mesmo tempo, a criação de emprego e renda com as atividades voltando gradativamente. O dólar continuará alto e isso não é bom, já que muita coisa dentro das lojas estão atreladas ao dólar, como embalagens, insumos, entre outros”, disse.

“[Precisamos] dar mais opções ao consumidor para os diferentes bolsos, da sardinha ao bacalhau, do produto mais barato ao mais caro. O importante agora é ter diversidade nas gôndolas para abastecer a população de acordo com o bolso e o gosto”, pontuou.