Consumo de produtos prontos in natura caiu cerca de 50% no Brasil

(Foto: Pixabay)

A contenção de gastos, a preocupação com a saudabilidade e a valorização do processo de cozinhar levaram 46% dos consumidores a reduzir a compra de produtos prontos industrializados ou in natura nos últimos meses.

Os hábitos dos consumidores foram revelados na nova pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (APAS) e do IBOPE Inteligência, divulgada nesta segunda-feira (07), em São Paulo.

O levantamento avalia os atributos mais valorizados pelos consumidores em suas visitas aos supermercados de 2 mil pessoas, com idade acima de 16 anos, de todas as classes e regiões do Brasil.

Cerca de 88% dos consumidores costumam comprar produtos prontos industrializados, com destaque para as classes A/B, de homens e jovens. Por outro lado, 46% reduziram o consumo desta categoria, 25% intensificaram a compra e 29% a mantiveram.

“É uma tendência para todos os setores: o surgimento de um novo nicho, de pessoas mais preocupadas com saúde e mais atentas com o que comem e em preparar os alimentos”, analisou Marcia Sola, Diretora Executiva do ‎IBOPE Inteligência.

O crescimento da demanda por alimentos e bebidas saudáveis criou um movimento na indústria por produtos sem glúten, lactose, com menos sódio e menos açúcar. No entanto, as empresas especializadas se recuperaram mais rápido da crise econômica do que outros setores, afirmou o coordenador de economia, processos e projetos da APAS, Thiago Berka.

“O movimento de saudabilidade é muito forte. Cerca de 72% dos consumidores preferem ingredientes naturais e não só nos alimentos. As empresas que mais se recuperaram da crise [econômica] foram as que promovem a saudabilidade. Algumas empresas de orgânicos, por exemplo, cresceram de 200 a 300%, muito mais do que outros negócios”, disse Berka ao ONB.

De acordo com o especialista, os consumidores preferiram comprar, em 2017, mais chás líquidos, água e massa fresca, ao invés de sucos em pó, refrigerante e massa pronta, respectivamente.

Os supermercados são o principal canal de compra para alimentação, bebidas e material de limpeza, mas perdem um pouco a preferência do consumidor, entre os perecíveis, principalmente no segmento de frutas, verduras e legumes (FLV), em que hortifrútis e feiras ainda são uma alternativa importante.

Em relação ao segmento de FLV, preço, qualidade e variedade são os principais fatores considerados na hora da compra. A pesquisa constatou que os consumidores preferem encontrar todos esses atributos no mesmo lugar de compra e o que pode diferenciar a sua escolha de local são detalhes, como estacionamento coberto.

Preço é determinante na hora da compra

Em ordem de prioridade, o preço é o principal fator para a escolha de um supermercado. Cerca de 69% dos consumidores pesquisam preços regularmente, sendo que 74% são mulheres, 58% consulta preços no próprio supermercado e 50% em jornais e folhetos.

Em média, um consumidor visita o supermercado, aproximadamente, quatro vezes por mês, sendo que um em cada três frequentadores costuma ir uma vez por semana ou mais. Quanto ao poder econômico, 44% das famílias da classe AB costumam ir ao mercado uma vez/semana ou mais, enquanto a frequência semanal em famílias da classe DE atinge apenas 23%.