Brasileiro ganha prêmio da OMS por rede de banco de leite materno

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) concedeu ao pesquisador brasileiro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), João Aprígio Guerra de Almeida, o prêmio Dr. Lee Jong-Wook de Saúde Pública 2020, pelo seu trabalho à frente da Rede Brasileira de Banco de Leite Materno (Rede BLH), a maior e mais complexa rede de leite humano do mundo.

O prêmio é um dos mais importantes reconhecimentos internacionais para cientistas e instituições que alcançaram progressos no campo da saúde das populações. Para o Conselho Executivo da OMS, o brasileiro é “a força motriz por trás” da rede de bancos de leite.

“O Brasil tem um trabalho inovador e estamos empenhados em ampliar essa rede dentro e fora do país. É uma satisfação contribuir para a redução da mortalidade infantil”, diz Aprígio.

Incentivo ao aleitamento materno

A Rede BLH foi criada, em 1998, pelo Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz como uma estratégia para promover, proteger e apoiar o aleitamento materno e reduzir a mortalidade infantil. Além de coletar, processar e distribuir leite materno de qualidade a recém-nascidos prematuros e de baixo peso, e orientar e apoiar a amamentação.

Segundo a Fiocruz, o leite materno tem todas as propriedades que um bebê precisa até os seis meses de vida, protegendo-o contra doenças, como diarreia, infecções respiratórias e alergias. Estima-se que para cada litro de leite oferecido para crianças prematuras, é possível diminuir dois dias de sua permanência na UTI neo-natal.

A Rede Brasileira de Banco de Leite Materno se tornou referência internacional por utilizar estratégias que aliam baixo custo e alta tecnologia. Com a iniciativa, o Brasil alcançou a meta de redução da mortalidade em menores de 5 anos proposta pelas Nações Unidas quatro anos antes do prazo estabelecido. Entre 1990 e 2011, a taxa de mortalidade caiu de 53,7 para 17,7 óbitos por mil nascidos vivos.

Segundo o Ministério da Saúde, atualmente são 225 bancos de leite humano, 212 postos de coleta, além da coleta domiciliar em alguns estados, sendo cerca de 160 mil litros de leite humano são distribuídos por ano.

A Rede BLH é replicada em mais de 20 países, que incluem Rússia, Índia, China, África do Sul, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em 2019, foi inaugurado o primeiro Banco de Leite Humano de Angola, como resultado de uma cooperação técnica com o Brasil.

João Aprígio dividirá o prêmio de 2020 com um consórcio de pesquisadores da Tanzânia para a troca de informações sobre anemia e outras doenças ligadas às células falciformes.