Novo Coronavírus é pandemia mundial e deve custar mais de R$5 bi ao Brasil

(Foto: Unsplash)

Covid-19 é pandemia mundial

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou que o novo Coronavírus se tornou uma pandemia mundial, quando uma doença infecciosa ameaça muitas pessoas simultaneamente no mundo inteiro.

“A descrição da situação como uma pandemia não altera a avaliação da OMS da ameaça representada por esse vírus. Não muda o que a OMS está fazendo, nem o que os países devem fazer”, afirma Ghebreyesus.

Até o momento, foram registrados mais de 118 mil casos da doença em 114 países e 4.291 pessoas morreram. Nas últimas duas semanas, o número de casos fora da China aumentou 13 vezes e o número de países afetados triplicou.

O diretor-executivo do programa de emergências da OMS, Michael Ryan, ressaltou que a declaração de pandemia não significa que a organização e os países não devem adotar novas medidas de combate ao vírus ou passar para a fase de mitigação, quando prioriza cuidar dos doentes, ao invés de tentar conter a expansão do vírus.

Segundo a OMS, a expectativa é que o número de casos de mortes e países afetados deve aumentar nos próximos dias e semanas. Questionado sobre o assunto, Mandetta afirmou que  a declaração de pandemia não mudará nada no Brasil e que todas as pessoas que chegarem ao país com sintomas serão consideradas como caso suspeito.

“Para nós […] qualquer pessoa que chegue no Brasil ainda neste momento, com febre, tosse, gripe, já tem nexo para você poder falar: ‘oh, é um caso suspeito’. Por quê? Porque veio de fora de locais que têm transmissão sustentada. Mas nós já estávamos trabalhando assim, né? Nós já estávamos com América, Europa, Ásia, Oceania. Só não estávamos ainda considerando os da América do Sul e África. Agora são todos”.

Providências no Brasil

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pediu R$ 5 bilhões a Comissão Geral na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (11), para acelerar o diagnóstico dos casos de Coronavírus no Brasil. 

O valor será utilizado para ampliar de 1,5 mil para 6,7 mil a quantidade de postos de saúde abertos até as 22 horas. Cerca de 90% dos casos podem ser atendidos nesse nível de atenção e 40 milhões de brasileiros serão beneficiados com a medida, principalmente, em cidades médias e grandes.

Mandetta ressaltou que, apesar do vírus ter baixa letalidade para as pessoas infectadas, ele é extremamente duro com o sistema de saúde. Quanto mais alta a contaminação da doença, mais pessoas acionam o sistema de saúde, ao mesmo tempo. 

“Temos 40 milhões de brasileiros onde as espirais [de contaminação] podem ser maiores. A gente quer aumentar de 1,5 mil para 6,7 mil postos de saúde com horário estendido. Este é um dos motivos pelos quais estou pedindo recurso, pois para fazer isso tenho impacto de quase R$ 1 bilhão”, disse.

O ministro acrescentou que também é preciso comprar mais insumos utilizados na prevenção e nos tratamentos, como máscaras e luvas, para proteger os profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate a doença. O preço desses materiais subiu 1.800%, com a aquisição de grande parte dos estoques por países do norte.

O Brasil possui 52 casos confirmados em São Paulo (30), Rio de Janeiro (13), Bahia (02), Rio Grande do Sul (02), Minas Gerais (01), Alagoas (01), Distrito Federal (02) e Espírito Santo (01), de acordo com o último balanço. Cerca de 935 casos foram descartados, 907 estão em análise e ainda não há transmissão local.

O ministro afirmou que o governo só vai considerar uma transmissão comunitária do novo Coronavírus, se for detectada a infecção a partir da 5ª geração de transmissão de caso ou identificação de, pelo menos, um resultado positivo na vigilância sentinela. 

O ministro disse ainda que o governo continuará o monitoramento da doença e ressaltou que a comparação do Brasil com outros países deve ser feita com prudência, uma vez que o país tem tamanho continental.

*atualizado 11/3 às 20h50