Desmistificando o parto normal

(Foto: Ryan Franco/ Unsplash)

É verdade que a recuperação de parto normal é mais rápida que a recuperação de cesariana?

Segundo o Dr. Paulo Marinho: Isso é relativo e depende das condições físicas e emocionais da mulher. Muitas vezes nos surpreendemos com a evolução de algumas mulheres. É obvio que o parto normal, onde todos os tempos do parto evoluíram com fluidez, o pós-parto costuma ser muito tranquilo.

É verdade que gêmeos não podem nascer de parto normal?

Não é verdade. Os partos de gêmeos podem ser feitos por via vaginal e especialmente quando os bebês estão na posição cefálica (com a cabeça para baixo). A ocorrência de acidentes com gêmeos em parto normal é um pouco maior do que no parto com um único bebê. Por isso, hoje, as gestações gemelares têm maior incidência de cesariana.

Parto normal alarga o canal vaginal?

Dr. Paulo Marinho: Depois de uma gestação o corpo da mulher irá sofre algumas alterações que poderão permanecer para sempre. Alguns exemplos são o aumento das mamas, a alteração do peso, a textura de alguns tecidos, inclusive o da vagina, e as alterações na pele como manchas. Todas essas alterações independem do tipo de parto. A via vaginal pode gerar algumas roturas de tecido (músculos, pele, conjuntivo) de forma espontânea devido à passagem do bebê pelo canal vaginal ou quando o médico, no momento do parto, realiza uma episiotomia. Ambos os casos podem gerar cicatrizes no períneo, mas raramente serão a causa de uma possível patologia do períneo, o que está mais relacionada a múltiplos partos e condições genéticas.

É necessário fazer lavagem intestinal antes do parto normal? É necessário fazer algum tipo de dieta antes do parto?

Dr. Paulo Marinho: A lavagem intestinal também chamada de enteróclise é uma prática abandonada nos últimos dez anos e sua utilização pode ser feita em casos especiais. A dieta prossegue normalmente, respeitando o que a gestante está acostumada a ingerir.

A mulher que já teve um filho por meio de cesárea pode ter o segundo de parto normal?

Dr. Paulo Marinho: Sim, é possível. A cesariana é uma cirurgia que leva ao útero a ter uma cicatriz podendo gerar uma área de fragilidade. Numa gestação futura, tanto durante o trabalho de parto quanto espontaneamente, pode acontecer uma rotura e colocar em risco de vida a mãe e o bebê. Estatisticamente, este acidente acontece mais nas mulheres que sofreram alguma cirurgia que necessitou abrir o útero (cesariana, miomectomia e outros procedimentos), mas sua frequência não é tão elevada ao ponto de tornar o parto normal proibitivo.

Em quais casos a mulher não deve realizar o parto normal?

Dr. Paulo Marinho: Existem algumas condições bem restritas que o parto normal deve ser evitado. Esse é o caso da placenta prévia, quando a se desenvolve na parte mais baixa do útero e impede a passagem do bebê pela via vaginal. Outros exemplos são quando a mãe é a portadora do vírus HIV ou uma paciente em trabalho de parto com crise de herpes genital, mas essas condições são motivo de questionamento em alguns estudos.

O tamanho do bebê é um motivo muito comum para que alguns partos acabem em cesarianas, mas esta avaliação não pode ser feita apenas pela estimativa do peso fetal e sim pelo conjunto de fatores de risco envolvidos como o tamanho do útero, estatura materna, histórico dos partos anteriores, doenças da mãe, alguma malformação do bebê, e mesmo assim estas avaliações são passíveis de erro no que se refere a subestimar ou superestimação.

Parto humanizado: qual é a opinião médica sobre isso? Benefícios e riscos para mãe e bebê?

Dr. Paulo Marinho: O parto humanizado faz parte de um movimento mundial de aproximação entre os profissionais de saúde e seus pacientes, sendo assim não é uma ação exclusiva na área obstétrica. Esse processo de humanização deve ser feito sem abrir mão de todos os benefícios e ganhos conquistados pelas pesquisas e ações dos órgãos de saúde mundiais com o objetivo de reduzir os óbitos e sequelas provocadas pela falta de assistência médica.

A humanização do parto não se restringe a uma sala de parto a meia luz, a uma equipe de assistência reduzida para respeitar a intimidade da paciente, a colocar o bebê no colo da mãe, ou ao primeiro banho dado pelos pais. O parto humanizado, então, não expõe a equipe médica, a mãe e o bebê ao stress, é uma forma de reconectar os profissionais da saúde a este momento tão belo que é o nascimento. Alguns dados devem ser avaliados.

Cuidados básicos como lavagem das mãos e vacinação contra o tétano, por exemplo, reduziram drasticamente as mortes de recém-nascidos. O parto em ambiente controlado (maternidades ou hospitais) se mostrou mais seguro para mães e bebês do que os partos domiciliares, especialmente aqueles partos com desfechos desfavoráveis e que as ações em ambiente hospitalar se mostraram mais eficazes. Dentro desse contexto é importante destacar que, na maior parte dos casos, os partos chamados “complicados”, não são previstos com antecedência.

Fonte: Sidney Rezende