Desmistificando: Vasectomia pode causar problemas ao casal?

(Foto: Pixabay)

Muito se fala dos mitos que rondam a vasectomia, principalmente porque ela esbarra no machismo do brasileiro e isso um problema sério!

Depois do fato consumado, a grande maioria percebe que o tal bicho de sete cabeças não é tão amedrontador assim e pode ser até domesticado, mas, até chegar lá, o caminho é longo e tortuoso…

Mesmo sabendo que a cirurgia é simples, o fato de a região ser sensível torna a coisa um pouco mais nebulosa.

Vamos examinar algumas das questões mais frequentes para tirar eventuais dúvidas.

  • A cirurgia é complicada?

Que nada! É algo bem mais simples do que se imagina. Trata-se da interrupção do fluxo de espermatozoides, em seus dois canais, que são os canais deferentes.

  • A cirurgia é dolorida?

Outro mito! Apesar de a área ser bastante delicada, um bom profissional

tira isso de letra. O médico aplica anestesia local, a cirurgia não passa de 20 minutos e o paciente pode voltar pra casa dirigindo seu veículo. É importante evitar sexo por uma semana e ter os cuidados básicos no pós-operatório, pois, houve uma invasão em região interna. Mas, nada que um analgésico não resolva.

  • A vasectomia é garantida em sua eficiência?

Em geral, sim! Com todos os cuidados tomados durante o procedimento cirúrgico, é pouco provável que os canais deferentes voltem a se unir, pois, são cortados, queimados amarrados e até desviados um do outro. Eventuais problemas que surjam podem ter outras origens.

  • Terminada a cirurgia, o homem já pode voltar à vida normal?

Recomenda-se um tempo de resguardo, pois, apesar do corte dos canais, sempre pode haver espermatozoides resistentes e sobreviventes. A quarentena é aconselhável, mas, o homem pode ter relações usando preservativos para não correr qualquer risco. Após esse período, um espermograma pode definir a situação real.

  • A vasectomia extingue a ejaculação?

Essa é uma pergunta recorrente, que assusta os homens, mas, a resposta é simples. Nada muda, a não ser os 10% de esperma que não sairão mais com os 50% de líquido seminal e os 40% de secreção da próstata. Nada pode ser visto a não ser por um microscópio. A olho nu, tudo continua como anteriormente à cirurgia.

  • O homem volta a ser ele mesmo, após a cirurgia?

Não há qualquer alteração referente à estrutura do desempenho sexual. Antes e depois da cirurgia, pode ser feito um acompanhamento psicológico para que o homem fique inteirado do que pode ocorrer a ele, nesse período. De acordo com a lei, entre a primeira consulta e a resolução para a cirurgia deve haver um espaço de 60 dias para maturação da ideia.

  • A mulher precisa autorizar a vasectomia?

A legislação existente obriga o casal a assinar conjuntamente o formulário com o desejo de ser efetuada a cirurgia. Em caso de esterilização voluntária, o homem deve ter mais de 25 anos ou, pelos menos, dois filhos vivos. Entre as exceções há uma cláusula de permissão, caso a gravidez tenha colocada a saúde da mãe em risco.

  • É possível arrepender-se, depois?   

Essa é uma pergunta que tem algumas alternativas. Existe a possibilidade de reversão, mas, se ela for feita nos primeiros anos após a primeira cirurgia, seu sucesso é mais prático. Com o passar do tempo, os canais vão se atrofiando e até a produção de espermatozoides vai acabando. Num período entre 5 e 10 anos, a chance de dar certo cai para 50%. A cirurgia é mais complicada, minuciosa e deve ser realizada em ambiente hospitalar, com uso de microscópio. Portanto, pense bem antes de tomar qualquer decisão a respeito.

Fonte: Baseada em matéria de Maria Júlia Marques (UOL).