Dieta com orgânicos reduz 70% dos agrotóxicos presentes no corpo humano

(Foto: Freepik)

Mudar para uma alimentação orgânica diminui os níveis do glifosato, principal ingrediente do agrotóxico Roundup, presentes no corpo humano em mais de 70% em seis dias, revelou um estudo da Health Research Institute e publicado no periódico Environmental Research.

O estudo mediu o glifosato e seu principal produto de degradação, o ácido aminometil fosfônico (AMPA), na urina de sete adultos e nove crianças de quatro famílias demográfica e geograficamente diversas. Os pesquisadores testaram a urina durante seis dias em uma dieta convencional, seguida por seis dias em uma dieta totalmente orgânica por seis dias.

Todos os participantes do estudo, incluindo crianças de quatro anos, apresentaram glifosato em sua urina. Os níveis de glifosato em crianças eram cinco vezes maior do que em adultos durante as fases convencional e orgânica.

Segundo a autora do estudo da e cientista sênior da Friends of the Earth, Kendra Klein, a exposição das crianças deve acontecer nas escolas ou quando brincam na grama dos parques da cidade, onde o glifosato é comumente usado.

A pesquisadora ressalta que as crianças podem metabolizar o herbicida de maneira diferente dos adultos e crescer com esta substância no corpo pode prejudicá-las.

O estudo robusto é publicado pouco tempo depois que a Bayer, proprietária da Monsanto – fabricante do Roundup – desde 2016, concordou em pagar US$10 bilhões em dezenas de ações judiciais atuais e futuras de jardineiros e fazendeiros que contraíram linfoma não Hodgkin após o uso do produto.

De acordo com a pesquisa, a população dos Estados Unidos com níveis detectáveis de glifosato em seus corpos aumentou 12% na década de 1970 para 70% em 2014.

Outro estudo realizado por X também mostrou que produtos químicos chamados “desreguladores endócrinos” podem aumentar o risco de câncer, dificuldades de aprendizagem, defeitos de nascença, obesidade, diabetes e distúrbios reprodutivos, mesmo em níveis pequenos.

Estudos em animais e bioensaios associam-no à desregulação endócrina, danos ao DNA, diminuição da função do esperma, desordem do microbioma intestinal e doença do fígado gorduroso.

Apesar da crescente demanda por alimentos orgânicos, os Estados Unidos favorece os lucros da indústria de pesticidas. Em 2018, o país aprovou uma lei em que fornece bilhões de dólares para subsidiar a agricultura intensiva.

“Todo um sistema é investido na continuação da agricultura intensiva em pesticidas, enquanto nossos agricultores lutam por centavos para fazer a pesquisa de que precisam para apoiá-los na expansão da agricultura orgânica”, disse Klein.

O estudo é o segundo de uma série de duas partes que analisa o impacto de uma intervenção da alimentação orgânica nos níveis de pesticidas na urina. O primeiro estudo, publicado no ano passado, testou organofosforados, piretróides, neonicotinóides e o herbicida 2,4-D. O resultado foi semelhante.