HIV cresce rapidamente na Europa, mas está controlado no Brasil

(Foto: Reuters)

O número de pessoas recém-diagnosticados com HIV na Europa chegou a 160 mil pessoas, o nível mais alto desde que os registros foram iniciados, revelou o novo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, sigla em inglês).

“Este é o número mais alto de casos registrados em um ano. Se esta tendência persistir, não conseguiremos atingir a meta de acabar com a epidemia de HIV até 2030”, disse a diretora regional europeia da OMS, Zsuzsanna Jakab, em um comunicado. A meta integra o 3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

No Brasil, a proporção de pessoas com a doença cresceu 18% entre 2012 e 2016, passando de 71% para 84%, de acordo com o novo relatório de monitoramento clínico de HIV do Ministério da Saúde.

Apesar do crescimento no diagnóstico, o número de pessoas em tratamento aumentou 10% no mesmo período. Apenas no primeiro semestre de 2017, quase 35 mil pessoas começaram a combater a doença.

Em 2016, 91% das pessoas que tomaram o antirretroviral há pelo menos 6 meses alcançaram a supressão viral, quando a quantidade de vírus está abaixo de 1 mil cópias de vírus a cada miligrama de sangue. Quanto menor for a quantidade de vírus no organismo, menos será a chance de transmissão.

Segundo o Ministério, os índices não representam um aumento real no número de infecções, mas “indicam que as novas tecnologias de testes rápidos têm aumentado a cobertura”, explicou Adele Benzaken, diretora do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis IST, HIV, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

O órgão federal estima que, atualmente, 830 mil brasileiros tenham HIV. Destes, 84% já foram diagnosticados e 72% estão em tratamento.

Com os avanços no diagnóstico, tratamento e controle do vírus nos últimos quatro anos, o Brasil está próximo de atingir as metas do 90/90/90, um plano da ONU para erradicar a doença antes de 2030.

O plano prevê que os países signatários tenham 90% das pessoas com HIV testadas. Destas, 90% precisam ter aderido ao tratamento médico continuado, e destas, 90% devem estar com a carga viral zerada no sangue até 2020.

Atualmente, todo o tratamento antirretroviral no Brasil é financiada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

** Com informações da Reuters, do Valor Econômico e do G1