Agrotóxicos e sua Saúde: O que são agrotóxicos?

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São produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou plantadas, e de outros ecossistemas e de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, bem como as substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento.

Eles podem ser encontrados em vegetais (verduras, legumes, frutas e grãos), açúcar, café e mel. Alimentos de origem animal (leite, ovos, carnes e frangos) podem conter substâncias nocivas que chegam a contaminar a musculatura, e o leite e ovos originados do animal, quando se alimentam de água ou ração contaminadas.
Os agrotóxicos podem ser definidos como quaisquer produtos de natureza biológica, física ou química que têm a finalidade de exterminar pragas ou doenças que ataquem as culturas agrícolas. Os agrotóxicos podem ser:

  • pesticidas ou praguicidas (combatem insetos em geral)
  • fungicidas (atingem os fungos)
  • herbicidas (que matam as plantas invasoras ou daninhas)

A ação dos agrotóxicos sobre a saúde humana costuma ser bem prejudicial, muitas vezes fatal, provocando desde náuseas, tonteiras, dores de cabeça ou alergias a lesões renais e hepáticas, cânceres, alterações cromossomiais, doença de Parkinson etc. Essa ação pode ser percebida de maneira clara, contundente, imediatamente após o contato com o produto (os chamados efeitos agudos) ou depois de algum tempo – semanas ou anos, por exemplo (os chamados efeitos crônicos). Seguem abaixo exemplo de sintomas de intoxicação aguda e crônica por agrotóxicos:
Intoxicação aguda: náuseas, tonturas, vômitos, desorientação, dificuldade respiratória, sudorese e salivação excessiva, diarréia, chegando até coma e morte.
Intoxicação crônica: distúrbios comportamentais como irritabilidade, ansiedade, alteração do sono e da atenção, depressão, cefaléia (dor de cabeça), fadiga (cansaço), parestesias (formigamentos), etc.

(Foto: Reprodução/ Dietnet)
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Segundo a Organização Mundial de Saúde, há 20.000 mortes por ano em conseqüência da manipulação, inalação e consumo indireto de pesticidas nos países em desenvolvimento.

Uma analise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária detectou que diversos alimentos consumidos pelas famílias brasileiras possuem maior teor de agrotóxicos que o permitido. São eles: pimentão, morango, pepino, alface, abacaxi, beterraba, couve, mamão e tomate.

Uma solução para garantir a diminuição da ingestão de agrotóxicos é optar por alimentos orgânicos, pois eles são cultivados sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos.

Chama-se adubação orgânica o uso exclusivo de material vegetal e animal como insumo na produção agrícola. A matéria orgânica, quando aplicada dentro das técnicas e sendo de boa qualidade é um dos principais agentes de estruturação dos solos.

A adubação orgânica pode ser usada em forma de composto, húmus de minhoca, de esterco curtido, ou outras. Além da adição do esterco e de restos de plantas, no cultivo orgânico ainda há a rotação do plantio, que não acaba com os nutrientes do solo, a cobertura das hortas, e que protege as raízes contra a erosão mantendo a umidade, e o plantio de plantas especiais para enriquecer o solo, o chamado “adubo verde”. Todos esses processos fazem com que o alimento certo para os microorganismos lá existentes sejam liberados gradativamente e na quantidade necessária ao seu bom desenvolvimento. Em um solo orgânico há mais microorganismos, que produzem algumas substâncias (como o citrato e o lactato), que por sua vez se combinam com os minerais do solo, tornando-os mais biodisponíveis para a raiz da planta. Além disso, o solo bem estruturado possui maior resistência à compactação e à erosão. Isso explica porque alguns estudos encontraram mais nutrientes nos alimentos orgânicos, em comparação aos convencionais.

Dentre os nutrientes encontrados em maior quantidade nos alimentos orgânicos, estão a vitamina C, o ferro, magnésio, potássio, além dos compostos antioxidantes. Algumas pesquisas com laticínios encontraram uma melhor proporção dos tipos de gordura no leite e derivados orgânicos, com maior quantidade de ácidos graxos poli-insaturados, sobretudo ômega 3 e CLA, além de betacaroteno e vitamina E em maior quantidade. Outros estudos identificaram que o consumo de alimentos de origem animal orgânicos acarreta menos resistência bacteriana. Você sabe o que é isso? É a capacidade de um microorganismo suportar um dado tratamento antimicrobiano, ao qual seria anteriormente sensível. E nós não estamos precisando de bactérias mais resistentes, certo?

Mas algumas pessoas não têm acesso ou condição de comprar alimentos orgânicos. Por isso devemos seguir sempre algumas dicas de higiene no preparo de alimentos (mãos e utensílios limpos), no seu armazenamento (separar crus de cozidos) e no uso da água para cozinhar (deve ser filtrada ou fervida). É importante também conhecer a procedência do que está sendo consumido. Antes de ingerir frutas, verduras ou legumes crus, é preciso lavá-los em água corrente, de preferência com sabão, que possui a propriedade de eliminar alguns agrotóxicos superficiais. Friccionar o alimento com uma escovinha também ajuda.

Uma forma simples e rápida de eliminar uma parte dos agrotóxicos dos alimentos que temos em casa é deixar de molho em uma solução com 10% de vinagre por pelo menos 10 minutos. Ou seja, para 1 litro de água, coloque 100 ml de vinagre, adicione o alimento e deixe por pelo menos 10 minutos. Não acaba com todos os produtos, mas diminui! Importante: o vinagre não mata microorganismos patogênicos, por isso a fatia de deixar o vegetal de molho no vinagre não elimina a necessidade de desinfecção, que pode ser feita em uma solução 1 colher de sopa de hipoclorito ou água sanitária para cada litro de água. Portanto, prepare 2 bacias!

O cozimento também provoca a degradação do defensivo agrícola. Um alimento in natura certamente terá mais agrotóxicos do que outro que passou por algum processamento. O descascamento também ajuda a retirar os pesticidas, mas esse processo provoca a perda de alguns nutrientes. Os dois métodos são efetivos contra os pesticidas de ação superficial (aqueles que se depositam na casca do alimento, não penetrando em sua polpa), que são os mais utilizados. Mas há um tipo de defensivo agrícola que entra na raiz da planta e chega a seu interior pela seiva. Conhecidos como pesticidas de absorção sistêmica, eles não são removidos somente com a lavagem ou o descascamento. O cozimento, porém, surte efeito e degrada boa parte do agrotóxico, assim como o congelamento e a refrigeração.