Tragédia: Como lidar com essa situação?

Até outro dia, pouca gente sabia da existência deles. Os fanáticos por futebol conheciam o time, alguns integrantes e sua posição no campeonato.

Os palmeirenses e todos os que torceram pelo brilhante trabalho do time alviverde paulista, em 2016, conheceram de perto os jogadores da Chapecoense, indo ao campo ou através da televisão, num jogo nervoso, emocionante e decisivo. Era domingo à tarde…

Até aí, tudo normal. Torcedores soltaram rojões, vibraram com a vitória do seu time, campeão nacional, tiveram uma segunda-feira de muitas comemorações, mas, no dia seguinte, acordaram com uma profunda tristeza, pois, logo cedo, as emissoras de Rádio e TV davam conta de um acidente fatal, com a queda do avião que transportava o time da Associação Chapecoense de Futebol, incluindo o pessoal de suporte, além de jornalistas de vários órgãos de divulgação e a tripulação.

Instantaneamente, comoção nacional!

Todas as pessoas que tomavam conhecimento de uma ou outra informação desencontrada não atinavam com o que estava acontecendo, até que caiu a ficha, quando começaram a chegar imagens da aeronave destroçada e a lista de nomes de eventuais sobreviventes.

O que a gente não entende é por que motivo essas coisas acontecem, porque gente nova, cheia de vida, a caminho de uma representação internacional – pela primeira vez na vida – levando o nome de seu país para brilhar no exterior tem um fim tão trágico.

De repente, as redes sociais exibem vídeos gravados com o pessoal que estava no avião, momentos antes da decolagem, fotos tiradas pelos integrantes do time, postagens em seus perfis com frases de efeito, mostrando que a felicidade imperava.

E, não mais que de repente, o mundo inteiro reage, enviando mensagens de carinho, de amor, de condolências aos familiares daqueles que perderam a vida e, tocado por uma sensação inexplicável, chora, acende velas, ora pelos que se foram.

O noticiário vai continuar por vários dias, especulando sobre as causas do acidente, os programas de TV (que primam pelo sensacionalismo) vão entrevistar videntes, vão mostrar que estava tudo escrito, enquanto os parentes das vítimas vão chorar muito pela ausência dos seus queridos e esperar que essa história termine logo, com a chegada dos corpos.

A população do mundo todo fica intrigada, pensativa, emocionada e continua a se perguntar o porquê dessa tragédia…

Nessa hora, não há fronteiras, não há barreiras, não há disputas, o que se vê é uma grande comoção, uma tristeza que se espalha como rastilho de pólvora, uma solidariedade sem precedentes e muita, muita vontade de chorar!

Nós não estamos preparados para lidar com a perda, não estamos prontos para aceitar a morte, notadamente, quando ela acontece por atacado.

O golpe é duro, forte demais, mas, vai passar com o tempo. Como uma ferida, há de cicatrizar, mas, ficará a marca, ainda que indelével, para sempre.

É um bom momento para se refletir, para pensar em coisas simples, mas, muito importantes: a vida é curta, não podemos perder tempo com rusgas, brigas, discussões sem nexo, muito menos com ataques a desafetos que torcem por um time diferente do seu.

Nossa passagem por essa terra está definida, nós não temos conhecimento do fim do contrato, mas, temos certeza de que ela vai terminar. Essa é mais uma razão para aproveitarmos cada minuto de nossa vida para construirmos coisas importantes, para descobrirmos e cumprirmos nossa missão por aqui, em vez de deixarmos tudo para o futuro, esperando dias melhores…

Sejamos sensatos, honestos, inteligentes e aproveitemos todas as oportunidades que se nos apresentam para ajudar a construir um mundo melhor!

Cada um de nós tem um prazo definido, não custa nada fazer dele o melhor possível.

Quem sabe, amanhã, a gente acorde com outro pensamento e outro modo de ver a vida de viver a vida!!!

Vamos refletir a respeito???

Luiz Fernando Magliocca