Alimentos brasileiros com alto índice de agrotóxicos e 2 anos da tragédia de Mariana

(Fotos: Pixabay / Arquivo Agência Brasil)

Nesta última semana, um relatório importantíssimo foi publicado pelo Greenpeace Brasil: Em uma análise de uma grande variedade de alimentos comercializados no Brasil, 60% das amostras apresentavam concentração de resíduos de agrotóxicos e pesticidas. Destes, 36% continham substâncias proibidas e quantidade acima do limite estabelecido por lei.

Os dados alarmantes trazem à tona novamente o assunto do enorme consumo de veneno que ocorre Brasil afora. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estimam que cada brasileiro consome, em média, cerca de 5kg de agrotóxicos todos os anos. Assustador!

A análise do Greenpeace não apresenta nenhuma novidade, infelizmente. Uma pesquisa realizada pela própria Anvisa, com mostras coletadas entre 2014 e 2015 apresentou resultados semelhantes: presença de agrotóxicos em 58% das amostras.

Um dos dados mais preocupantes do levantamento recém-publicado foi que dos 23 tipos de agrotóxicos encontrados, 10 estão proibidos em pelo menos uma dessas quatro regiões: Austrália, Canadá, Estados Unidos e Europa.

Mais uma prova da necessidade de atualização da legislação vigente dos agrotóxicos. Há uma movimentação de alguns deputados e membros do governo de se modificar a lei. Mas, mudar para pior, infelizmente. A intenção é de flexibilizar as regras para a introdução de novos pesticidas ao invés do contrário. Precisamos lutar contra isso!

Além do relatório da pesquisa, o Greenpeace lançou uma petição pela instalação de uma Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, a PNARA. Ela já é um projeto de lei (6670/2016) e aguarda pela instalação de uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados para ser analisada.

II. Pesquisa com bicarbonato de sódio

Coincidentemente, poucos dias após a divulgação da análise do Greenpeace Brasil, foi publicada uma pesquisa realizada pela Universidade de Massachusetts sobre métodos de lavagem de alimentos que diminuem a presença de agrotóxicos.

De acordo com o estudo realizado exclusivamente com maçãs, uma solução de bicarbonato de sódio, um produto doméstico comum, misturado com água é capaz de obter bons resultados.

Os pesquisadores aplicaram dois pesticidas comuns nas lavouras: fungicida de tiabendazol e o inseticida phosmet, então experimentaram três tipos de lavagem: água da torneira, uma solução de bicarbonato de sódio com água (10mg/ml) e uma substância geralmente utilizada pela indústria para lavar esses produtos.

A solução de bicarbonato de sódio foi a mais efetiva na redução de pesticidas. Após 12 e 15 minutos, 80% do tiabendazol e 96% do phosmet foram removidos, respectivamente. Os outros métodos apresentaram muito menos efetividade. A pesquisa preliminar analisou apenas maçãs em seu estudo, por isso o comportamento desse método em outros alimentos ainda carece de análise.

III. 2 anos da tragédia de Mariana

No dia 5 de novembro de 2015, ocorreu uma das tragédias ambientais mais catastróficas da história: o rompimento da Barragem de Fundão, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, que liberou uma avalanche de lama e outros rejeitos da empresa mineradora Samarco soterrando os distritos de Bento Rodrigues, Paracatu e Gesteira. O incidente matou 20 pessoas e contaminou as águas do Rio Doce.

Atualmente, dois anos depois, as vilas que tiveram a promessa de serem construídas para abrigar as vítimas da tragédia ainda não saíram do papel. Além das mortes e destruição das casas, o impacto ambiental ainda tem grandes reflexos dois anos depois. Até agora o desastre no meio ambiente não foi dimensionado. Boa parte da lama espalhada com o rompimento continua acumulada nas margens do Rio Doce.

Não há dados conclusivos a respeito da contaminação ou não de animais do entorno. Pesquisadores concordam que é praticamente impossível retirar todo o rejeito ao longo da bacia, mas ponderam que, quanto mais tempo demorar para a adoção de medidas, maior o risco de o Rio Doce ser contaminado pela lama acumulada nas margens. Lamentável!