Gratidão eterna aos protetores que resgatam e cuidam dos animais por amor

(Foto: Pixabay)

Hoje é o último post do Blog +Pets dentro do Portal Organics News Brasil e eu não poderia encerrar esse ciclo de forma diferente, sem declarar meu amor infinito pelos animais e sem demonstrar minha gratidão eterna aos protetores da causa animal.

Vi, li e recebi muitas notícias tristes de crueldade com animais e muitas alegres de amor e companheirismo. Quero, do fundo do meu coração, que os humanos cuidem mais desses anjos de quatro patas, pés, pelos e penas. Vamos ajudar, compartilhar, amar, adotar, alimentar, dar carinho, proteger e defender os animais.

Que São Francisco de Assis proteja esses bichinhos que fazem parte da nossa vida, das famílias e da natureza, e aos protetores, que lutam pela causa animal, resgatam, cuidam e amam aqueles que foram abandonados e não tiveram a sorte de ter um lar.

Não é uma despedida, é um até mais.

Ana Finatti | Blog +Pets

 

Nossa gratidão aos protetores que resgatam, cuidam e salvam vidas por amor

Tudo começa com o descaso do ser humano que maltrata e descarta animais nas ruas como se fossem coisas. São seres racionais que mutilam, espancam, queimam e matam bichos de todas as espécies por puro prazer. Maus-tratos a animais é crime. Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que, no Brasil, existem mais de 30 milhões de animais abandonados, sendo 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães.

Em defesa desses animais abandonados estão às ONGs, os Centros de Controle de Zoonoses (CCZ) dos municípios, abrigos e entidades que fazem tudo que podem para ajudar, mas nunca é o suficiente. Daí, entra o trabalho incansável dos protetores independentes que resgatam, cuidam e salvam vidas por amor.

Essas pessoas lutam diariamente para alimentar, comprar medicamentos, pagar veterinários, material de limpeza e tudo mais que for preciso, sozinhos, com recursos próprios. Sem ajuda de governo ou instituições, são verdadeiros “anjos” na vida de um animalzinho abandonado.

É comum vermos pedidos desesperados de auxílio nas mídias sociais para compra de ração ou para algum tratamento clínico. Os gastos são enormes e a ajuda é sempre pouca, infelizmente.

Na zona leste de São Paulo, a protetora Kátia Ferreira dedica sua vida aos animais. Atualmente, cuida de 24 cães e 35 gatos em casa, fora os que estão em lares provisórios. “Sempre amei os bichos e desde pequena fazia tudo que podia, aos poucos fui me envolvendo. Em 2008 tive uma experiência horrível com maus-tratos e, desde então, não parei de proteger os indefesos. Não consigo deixar um cachorrinho ou gatinho na rua, sabendo que pode morrer atropelado, ou de fome, ou frio, ou ser maltratados. Eles são a minha vida”.

Ela conta que sempre trabalhou em escritórios, mas com o tempo e com o número de animais resgatados aumentando, a corretora de seguros não conseguiu mais trabalhar fora de casa porque tinha que cuidar, limpar, alimentar, levar em clínicas para castrar e correr atrás de adoção para os recuperados. “As dificuldades são enormes, muita perseguição, julgamentos e responsabilidades”, diz.

Para sustentar os bichos, ela realiza bazar solidário, faz rifas e conta com a ajuda e doações de amigos que se mobilizam nas redes. “Minha felicidade é ver um bichinho que ajudei ser adotado, ter uma família e conhecer o amor. Meu sonho é poder ajudar mais, ter estrutura adequada para dar uma vida digna para meus bichinhos”, explica.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Em outro canto da cidade, na zona sul, a administradora aposentada, Leia Ramos, se diz uma colaboradora da causa animal. Ela ajuda protetoras com LP (lar temporário), mas também faz resgates, cuida, trata dos bichinhos, leva para castrar, tratamentos veterinários e já conseguiu a adoção de mais de 60 bichinhos.

E a história se repete, Leia fala que o amor pelos animais veio desde pequena, sempre teve cachorros, a avó tinha gatinhos e ainda cuidavam dos bichos da rua. Na época de faculdade, início de carreira e casamento, o tempo era escasso, mas depois da aposentadoria precoce, o amor falou mais alto. “Quero morrer sabendo que fiz a diferença nesse mundo. Tudo que eu posso fazer para acabar com o sofrimento de um animal e tirá-lo da rua, eu faço”.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Dentre os vários casos de abandono e crueldade que precisou ajudar, Leia foi chamada para retirar uma cadelinha, que tinha acabado de dar cria a seis filhotes, e que era abusada sexualmente pelo tutor, isso mesmo, a poodle era estuprada pelo dono. Os gritos da cachorrinha chamaram a atenção dos vizinhos que denunciaram. A aposentada chamou a polícia e conseguiu resgatar essa mãezinha e cinco filhotes. Mais tarde, os próprios vizinhos tiraram o filhote que faltava e entregou para ela cuidar. Todos foram tratados, castrados (a mãe estava muito debilitada e com doença na pele, quase sem pelos) e adotados.

O último resgate feito pela Leia foi na semana passada, no bairro Cidade Dutra, dois cachorrinhos maltratados por viciados em crack, o amarelo estava com bicheira no olho e o branquinho teve a orelha decepada. “Retirei os cachorros de lá, cuidei e já foram adotados. Essa é a minha realização, saber que terão um início de vida em uma casa, com uma cama quentinha, comida e amor. Não é um final feliz, é um início feliz”.

“Os desafios são muitos, pagamos tudo com nosso dinheiro e poucas pessoas ajudam, mas os protetores não desistem e não desistirão nunca”, desabafa Leia Ramos.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Kelly Szabo, professora na cidade de Santo André, é devota de São Francisco de Assis e, não por acaso, tem uma paixão desde a infância: os animais. O amor é tanto, que ela fez uma tatuagem na pele do santo, um cachorro e um gato.

Como nas histórias anteriores, sempre teve cães em casa e muitos passaram na sua vida, como a Léssye, Pitoco, Rex, Skip, Laika, outra Léssye, Lila, Tica e Teca, e depois a Belinha – a pastora alemã mais fofa do mundo, segundo ela. Os recentes são Heloisa, Rebeca e Toddy, todos de adoção e resgates.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Há dois anos aprendeu a ser “mãe” de gatos e descobriu com a Nina, uma sialata (siamesa com vira-lata), toda linda e já idosa, que diferentemente do que ouvia, os bichanos não são seres interesseiros. “Nina abriu um horizonte e a porta da minha casa para outros frutos de adoção e lar temporário, que virou definitivo! Hoje, temos Ninho, Nicholas e Mia, três figuras danadinhas que alegram nossas vidas”, conta.

Kelly não se considera uma protetora, mas protege à sua maneira. “Sempre que posso, e gostaria muito de poder mais, resgato animais de rua, cuido e ajudo com adoção, fico com o coração partido quando só posso pedir ajuda e quando tantas oportunidades fogem às nossas mãos. Muitas vezes, só o que posso fazer é colaborar com rações, promover rifas para levantar dinheiro e ajudar abrigos e protetores independentes, doar medicações e divulgar os que estão disponíveis para adoção. Quando consigo ajudar a mudar o destino de algum desses peludos, me sinto a pessoa mais feliz do mundo! Sonho com mais cuidados e políticas públicas para diminuir a quantidade de abandonos e animais em situação de rua, enquanto esse não realiza, trabalho por outro sonho, que é de poder ajudar todos os que precisarem, pois sim, ainda terei um abrigo!”, afirma.

(Foto: Dra. Patrícia Tahan / arquivo pessoal)

Para a médica veterinária, Dra. Patrícia Tahan, o trabalho desenvolvido pelos protetores é fundamental para o resgate de animais em situações de rua ou maus-tratos. “Os protetores possuem muito amor e dedicação, são parte importante no cuidado com animais que sofrem. Não importa se são independentes ou pertencentes a alguma organização, todo trabalho nesse sentido é valioso”.

Dra. Patrícia explica que a relação com os protetores no consultório sempre é boa, pois reconhecem o valor do trabalho de cada um. “Muitas vezes nos emocionamos juntos e unimos esforços para melhorar a qualidade de vida e condições de saúde dos cães e gatos. Unidos somos mais fortes”.

E como o cidadão comum pode ajudar? Primeiramente, com a posse responsável. Se um indivíduo que resolver ter um animal de estimação tiver responsabilidade nos cuidados, muitos animais não acabam indo para a rua.

Por outro lado, cada um pode auxiliar dentro de suas possibilidades: doação de ração e medicamentos, doação de produtos em bom estado de conservação para formação de bazares em prol de protetores e ONG’s, auxílio em limpeza de canis, banhos, etc. Sempre há oportunidade e serviço. Basta ter boa vontade e disposição para ajudar!

Assim como a Kátia, a Leia e a Kelly, a vida dos protetores é de amor e dedicação.

Precisamos de mais gente no mundo como vocês! Gratidão eterna.

 

“Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem. Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida”

Francisco de Assis

 

Oração de São Francisco