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Sistema de agroflorestas é mais vantajoso na produção de orgânicos

De 24 a 31 de maio é celebrada a Semana Nacional dos Alimentos Orgânicos em todo país. Em Brasília, a A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural disponibiliza uma lista com os pontos de venda de alimentos orgânicos no Distrito Federal. Produzir alimentos sem o uso de fertilizantes sintéticos, agrotóxicos e transgênicos na lavoura é o que caracteriza alimentos orgânicos.  E o processo de produção deve respeitar as relações sociocultural e seguir os princípios agroecológicos, com o uso sustentável dos recursos naturais, segundo determina o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Mas agora outra indicação importante para produção de alimentos orgânicos é o sistema de agroflorestas, que vem ganhando destaque entre produtores rurais e pode ser mais vantajoso a longo prazo. A Emater explica que a agrofloresta é um ambiente mais equilibrado do ponto de vista biológico e também um sistema vantajoso para o agricultor que sempre vai ter lucro com alguma colheita da área.

(Foto: Gustavo Porpino)
(Foto: Gustavo Porpino)

A produtora rural Silvia Pinheiro dos Santos adotou esse sistema em sua propriedade de 21 hectares no Núcleo Rural Alexandre Gusmão, na região de Brazlândia, no Distrito Federal. As verduras, frutas e madeiras de lei estão plantadas juntas, em consórcio, e, segundo Silvia, a biodiversidade é tão grande que evita muitas pragas e dá mais saúde para os vegetais. No terreno crescem, entre outras plantas, a hortelã, que afasta os insetos, e o feijão-guandú, capaz de fixar o nitrogênio no solo.

“Horta é a atividade que menos dá dinheiro, a que dá mais é a fruta e a mais rentável é a madeira… Conforme a madeira vai crescendo vamos escolhendo o que vai ficando. As hortaliças são de imediato e é o que nós comemos”, completou Silvia. O gado não é problema, o problema é tirar tudo para colocar o pasto: ” Nós fizemos a agrofloresta de um jeito que daqui a um tempo vamos criar o gado lá, porque plantamos inclusive a fruta que o gado gosta de comer”, disse.

No orgânico há ainda quem plante como na cultura tradicional, uma só espécie, e o produto fica mais caro porque não se pode aplicar nada, então precisa de muita gente para fazer a limpeza. No agroflorestal,  só induz a natureza, então vai  ter um preço mais competitivo, utilizando-se a própria poda das árvores e o húmus produzido no sítio como adubos para as plantas.

O engenheiro agrônomo da Emater-DF, Rafael Lima de Medeiros, conta que o mercado de orgânicos está crescendo e a Emater já trabalha o programa de agroecologia como prioritário. Temos mais de 5 mil propriedades rurais e pouco mais de 150 são orgânicas. Mas o número de feiras orgânicas está crescendo e mais agricultores querem aderir a essa venda”, observou.