Blog neWS Energia

Quem diria! Cana-de-açúcar é uma luz a mais na matriz energética brasileira

Pode parecer um choque cheio de trocadilhos fazer uma afirmação assim mas, tirando o fato de que o consumidor sempre paga a conta pelos erros de gestão do governo, a crise hidrelétrica pode trazer mais benefícios do que se poderia imaginar para a política de geração de energia elétrica.

Nossa matriz energética, considerada um “bagaço” pelos críticos ambientalistas diante do apego governamental aos megaempreendimentos, tem agora um novo elemento para contabilizar na luta por energia limpa e renovável: a cana-de-açúcar pode salvar a lavoura nos campos de geração de energia, que impinge ao consumidor apagões e tarifaços de 50% na conta de luz.

(Foto: Info Abril)
(Foto: Info Abril)

Segundo dados dos Ministérios da Agricultura e Minas e Energia, a biomassa já é a terceira fonte de geração de energia, totalizando em abril 12.417 MW de potência instalada (9,1% do total gerado no Brasil, sendo 10.000 MW deles só com cana-de-açúcar). Energia superior ao que deve produzir em setembro a Usina de Belo Monte, encostada no Gás Natural (9,5%), mas ainda bem distante da hidroeletricidade (66,1%).

Os números colocam mais luz nesse quadro promissor. Nos últimos dez anos, a capacidade instalada em usinas térmicas a biomassa no Brasil teve acréscimo de 8.362 MW. Até 2018 deve entrar em operação mais 1.750 MW, já  contratados. Outros 2.400 MW estão previstos para entrar em operação até 2023.

O problema ainda é o custo benefício. Estamos falando de geração por termelétricas e a grande sazonalidade do produto, que se transforma em combustível e adoça nosso cafezinho sagrado de todo o dia. Para os usineiros, assoviar, chupar cana e gerar energia não será um mal negócio. Para os consumidores, que hoje amargam energia muito cara esperamos dias menos chocantes quando a conta de luz chegar.