Colônias espaciais na Lua até 2030. Falando japonês!

(Foto: EFE/ María Roldán)

Há mais de 50 anos não há uma pegada humana renovada na lua. 384 mil km separam a Terra de seu satélite natural. Sempre estão renovando estudos de como seriam essas colônias: no subsolo ou em módulos na superfície.

Para o Japão, essas primeiras colônias estarão em túneis na Lua, até 2030  projetadas pelo Centro de Pesquisa de Colônias Espaciais.

A primeira mulher japonesa astronauta, Chiaki Mukai, tem a tarefa de desenvolver a tecnologia para garantir a sobrevivência no espaço, explicou Mukai, à Agência Francesa de Notícia, EFE.

“Se pensarmos bem, a EEI não é mais do que um ‘camping’ ao qual temos que levar tudo o que for necessário da Terra: água, comida, roupa, qualquer coisa, exceto os painéis solares. Se vamos para a Lua, precisaremos usar seus recursos e fazer com que tudo seja eficiente enquanto reciclarmos”, destacou Mukai.

São grandes problemas pela frente, como desenvolver um espaço habitável, produzir e armazenar alimentos; reciclar ar e água etc. Uma ideia consiste em obter plasma artificial, pela primeira vez em estado líquido, a partir da urina, para criar um composto capaz de ajudar a fertilizar as plantações e manter a água livre de algas

Para a astronauta, de 66 anos e com duas viagens ao espaço na carreira (1994 e 1998), a visão de uma colônia no espaço é mais a de turistas chegando a hotéis que a de grandes cidades.

A diferença de temperatura entre o interior da colônia e o exterior é muito grande (de 10 a 30 graus Celsius do interior para 90 a 130 graus do exterior durante o dia, e de -170 a -230 graus à noite): “é preciso desenvolver os sistemas para manter a temperatura constante”, alertou o professor Tsutomu Iida.

A equipe japonesa concentra seus estudos no silicato de magnésio (Mg2Si), um composto com reservas  abundantes e resistente.

ROBÔS OPERÁRIOS

Até lá o Japão terá desenvolvido robôs que vão colaborar com os seres humanos nas futuras colônias lunares. Sondas automáticas permitiram a criação de mapas de alta resolução de toda a superfície, sua composição química, atmosfera, gravidade e outros fatores. Acredita-se que, no lado escuro da Lua, a instalação de um super telescópio possa acelerar esse processo de colonização.

Como seria essa colônia lunar?

O pioneiro de pesquisas com foguetes, Herman Potocnik, imaginou em 1920 uma aeronave circular. A Sociedade Interplanetária Britânica também.

A Estação Espacial Internacional exige US$ 2 bilhões/ano, segundo a BBC reportou, para  levar água suficiente para os seis tripulantes. Além disso, é preciso transportar comida e oxigênio até a estação. No mundo ideal, a colônia espacial precisa ser auto-suficiente – capaz de produzir seus próprios recursos ou de retirá-los de algum asteroide.

Há de se pensar no fator humano sob efeito da gravidade: danos aos músculos e ossos por exposição prolongada, aumento da pressão sanguínea na cabeça, radiação cósmica aumenta riscos de catarata e câncer; descontrole emocional e até um fato perturbador como o cabelo humano ser combustível em baixa gravidade. Problemas que podem ser resolvidos

Quem nascer na Lua será Lunático no bom sentido?

Brincadeiras à parte, esse termo ainda será cunhado. Se os humanos conseguirem se reproduzir no espaço, as colônias  poderão desenvolver um novo tipo de comportamento. Cameron Smith, da Portland State University, especulou que uma colônia de 2 mil indivíduos teria cultura totalmente diferente 300 anos depois de ser formada – com mutações na textura de cabelos, pele e tamanho do corpo, que se  tornaria menos robusto, por causa da baixa gravidade. A engenharia genética, segundo ela, criaria órgãos artificiais diferentes, que possam aspirar o oxigênio do dióxido de carbono.