Colonizar e explorar asteroides

(Foto: Pixabay)

Você já viu esse filme. Uma missão suicida capitaneada pelo canastrão mais ator de Hollywood, Bruce Willis, pousando num asteroide para implodí-lo e assim evitar que a terra volte ao período das cavernas. Sim, Armageddon! Mas também já ouviu falar que a realidade é mais criativa que a imaginação.

Assim pensam os  cientistas que se uniram aos sonhadores endinheirados.  E eles querem explorar o que consideram uma fonte de abastecimento quando a fonte secar ou o planeta exaurir. O El Pais, importante jornal espanhol, entrevistou gente grande no assunto e reproduzimos aqui.

Julia de León,  especialista no estudo de espectros, e que pesquisa no Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC, Espanha), afirma que “diversas empresas tiveram recentemente seu interesse despertado pela astronomia” e “já estão destinando recursos para investigar os compostos mais abundantes nos asteroides”. Segundo Juan Fabregat,  “ainda não foi feito porque não é rentável, mas não há dúvida de que no futuro se conseguirá”.

Javier Licandro, astrofísico do IAC especializado em corpos menores do Sistema Solar, considera mais viável aproveitar os asteroides como fonte de recursos para construir material espacial do que para o consumo na Terra. “O mais custoso é ir buscá-lo e trazê-lo, mas pode servir se para construir satélites e estabelecer bases no próprio asteroide”, opina o especialista. Apresenta-se assim uma ousada solução para evitar os custos estratosféricos de colocar um satélite em órbita e obter energia que permita realizar longas viagens. Alguns asteroides contêm hidrogênio e oxigênio. Estes, segundo Licandro, são fundamentais para obter combustível no espaço, por isso os asteroides “funcionarão como uma espécie de posto de gasolina galáctico”, vaticina o astrofísico.

Colonização

Os especialistas apontam a possibilidade de colonização dentro ou mesmo fora do Sistema Solar. “A Terra algum dia se tornará inevitavelmente uma paragem inabitável”, afirma Fabregat. Ocorrerá, no máximo, quando o Sol se transformar em uma estrela gigante vermelha, dentro de cinco bilhões de anos. “Pode ser que antes, se ocorrer uma degradação severa da atmosfera ou uma brusca mudança climática”, esclarece o astrônomo.

Missões em andamento

Algumas missões espaciais abrem o caminho para as expedições comerciais. Já foram enviadas naves a asteroides para recolher materiais, trazê-los para a Terra e analisá-los. A primeira a conseguir isso foi a missão japonesa Hayabusa, cuja sonda aterrissou sobre o Itokawa e conseguiu voltar trazendo uma amostra. A Hayabusa 2, além disso, alcançou recentemente o asteroide Ryugu. A próxima que deverá fazer o mesmo é a Osiris-REx, uma missão da NASA que pretende alcançar o asteroide Bennu, cuja trajetória cruza os arredores da órbita terrestre.

A chegada da sonda está prevista para agosto de 2018, e até agora ela “conseguiu superar todas as metas intermediárias, o que não é pouco”, segundo Julia de León. “Fabricação, lançamento, assistência gravitacional com a Terra, validação dos instrumentos…”. A astrônoma é integrante oficial dessa missão, junto com Javier Licandro, especificamente no campo de processamento de imagens. Presenciou em Cabo Canaveral, na Flórida, o lançamento da nave e, “nas palavras de Dante Lauretta, chefe da missão, foi absolutamente perfeito”, orgulha-se a especialista em análise de espectros.

Depois de vários anos analisando a superfície do asteroide Bennu, a Osiris-REx retornará à Terra e entregará a cápsula com o material importado. “Esperamos ter surpresas agradáveis”, afirma De León, acrescentando que “em qualquer caso, dispor desse tipo de material para poder analisá-lo com detalhe nos laboratórios será fantástico”.