Em busca da Internet livre das corporações

(Foto: Reprodução)

Hoje este espaço abre a discussão do mal que as corporações fazem das invenções que melhoram a humanidade. A internet seria a maior das invenções sem fronteiras, se o seu acesso não dependesse do chamado livre mercado. Mas a rede da rede pode estar a caminho.

Isso inspirou um esforço para re-descentralizar a web. Duas das tentativas mais importantes — alguns contariam o blockchain como uma terceira — são arquiteturalmente muito promissoras. A questão é: até que parte a arquitetura será suficiente?

A primeira iniciativa inovadora vem de Tim Berners-Lee, a pessoa que inventou a web, sem patentes, copyrights ou marcas registradas. O novo projeto de Berners-Lee, a caminho através de seu laboratório no MIT, chama-se Solid (“social linked data”, ou “dados sociais interligados”,), um jeito de fazer as pessoas terem os direitos sobre seus próprios dados, ao mesmo tempo em que os disponibilizam para os aplicativos que quiserem utilizar.

Com o Solid, você armazena seus dados em “pods” (“personal online data stores”, ou “repertórios de dados pessoais online”, em tradução livre) que ficam hospedados onde você quiser. Mas o Solid não é apenas um sistema de armazenamento: ele permite que outros aplicativos requeiram os dados. Se o Solid autentifica o app e — importante — se você der permissão para acessar os dados, o Solid os entrega.

Quando a World Wide Web decolou pela primeira vez, na metade dos anos 90, o sonho não era apenas grande, era distribuidor: todas as pessoas teriam sua própria homepage, todos iriam publicar seus pensamentos — isso não era chamado de “blog” até 1999 — e iriam ter posse de seus próprios dados, afinal ninguém estava oferecendo possuí-los por nós. A web consistia em nós, unidos por links, sem qualquer centro.

Se aparecer um novo aplicativo de rede social você pode fazer parte dele, dandopermissão para acessar seu pod, sob seu controle, estocados onde você preferir, e utilizáveis apenas pelos aplicativos que permitir

O Solid é projetado de cima abaixo para permitir a descoberta e compartilhamento de informações. Por isso o “linked data” (“dados interligados”) no lid, no nome do projeto. Linked Data é outra invenção de Berners-Lee, uma maneira de se referir a dados cuja interligação é facilitada por meio de repositórios.

Por exemplo, se você quiser, pode dar informação para um site de viagens ou para um grupo de ação sobre mudança climática, para acessar a informação em seus pods sobre seus dados demográficos e as viagens que fez.

O InterPlanetary File System  tem uma abordagem diferente e segue o caminho do BitTorrent para permitir que múltiplos computadores forneçam partes de uma página ao mesmo tempo. Desta maneira, se um servidor cair, não levará com eles todas as suas páginas. O IPFS faria a web mais flexível, e menos sujeita à censura.

Para utilizar o IPFS a tal ponto, você pode instalar extensões no Chrome e no Firefox, ou recorrer à abordagem mais techie, usando linhas de comando. O IFPS espera, no entanto, que seus padrões sejam aceitos pelo W3C e pelo IETF, os grupos que decidem o que conta como parte oficial da web e da internet. Isso ajudaria a motivar os browsers a construir, com suporte nativo, de acordo com o novo protocolo.

Mas tudo vai depender da aceitação. É improvável que novos aplicativos de redes sociais baseados no Solid sejam lançados no Facebook. Por outro lado, para os serviços de redes sociais projetados para tipos particulares de pessoas — cientistas, pesquisadores, artistas colaborativos — talvez seja mais fácil começar assim.

O texto original onde foi resumido este blog é de David Weinberger*, no Digital Trends e a tradução de Gabriela Leite.