Setembro Amarelo

(Foto: Divulgação / Caps)

O tema suicídio sempre foi e ainda é um tabu na imprensa, não só no Brasil, mas no mundo. A primeira reportagem da minha vida profissional foi exatamente do suicídio de uma moça de 26 anos que se jogou do alto de um prédio na Avenida Paulista. Uma reportagem que nunca foi divulgada, mas o rosto da vitima faz parte da minha galeria de “fantasmas”, colecionados ao longo de uma carreira de cobertura de fatos violentos. Aqueles que fizeram e ainda fazem cobertura da violência urbana sabem o que é isso.

Naquele dia, quando cheguei à redação, com todos os detalhes dos fatos, fui informado pela chefia. Esquece, não divulgamos suicídio. Uma meia-verdade, porque em outros casos, dependendo do contexto, tive que divulgar. Existem estudos sérios, em todo o mundo, que aconselham a não se divulgar o suicídio. O ato em si, detalhado, estimula os vulneráveis.

A realidade é que mesmo não se divulgando, ele cresce. Dados oficiais no Brasil indicam que 32 pessoas são suicidas todos os dias entre nós. A depressão, o álcool, as drogas, abusos sexuais, violência doméstica e o bullying são algumas das causas. Os jovens são os mais vulneráveis, segundo os especialistas. Uma sociedade cada vez mais competitiva, a super exposição nos meios de comunicação e nas redes sociais, afloram as frustrações e os desencantos.

É preciso colocar na pauta da comunicação brasileira o suicídio. Dizem os especialistas que a conversa, a mão estendida, ouvir e acreditar na angustia de outros ajudaria a evitar a ação desesperada de um ser humano.

Estamos na campanha do SETEMBRO AMARELO. UM ALERTA E UMA DISCUSSÃO SOBRE O SUICÍDIO. AO SEU LADO PODE TER UMA PESSOA QUE PRECISA DE SUA AJUDA. Saiba mais em: www.setembroamarelo.org.br