Negócios de Valor: Plantário, a estufa que produz sabor

“Bá! No café da manhã tu mistura o alecrim na manteiga e passa no pão. Ou tu usa o hortelã na água aromatizada. E o sanduíche… tu não tens um sanduíche, tens uma experiência sabe? Não existe nada melhor do que da horta para o teu prato”.

O que dá para entender lendo o parágrafo acima? Que conversei com um produtor rural do Sul que adora cozinhar não é mesmo? De fato, ele produz pois tem sua própria horta em casa, aonde cultiva temperos. De fato, ele está no Sul. Mas não no interior e sim na capital do Rio Grande, Porto Alegre. Meu interlocutor gosta de cozinhar mas o que faz mesmo é produzir: Bernardo Mattioda, 27 anos, é engenheiro mecânico. Ele e seus dois amigos George Haeffner e Thomas Kollman fundaram a Plantário, uma empresa que criou e agora produz um eletrodoméstico capaz de cultivar hortas em espaços pequenos.

110 ou 220V- para o Plantário não importa a voltagem. O produto, criado após dois anos de pesquisas, precisa apenas de fonte de energia elétrica e de água para que, a partir de três semanas, possa começar a colheita, seja de temperos como o de Bernardo ou de folhas como alface, rúcula, almeirão.

“O Plantário acelera o crescimento das plantas pelo dobro. Mas o fato de ser orgânico, com substratos orgânicos, boas sementes garantem que tu colhes o melhor vegetal do mundo. Há sim bons produtores, mas até o produto chegar na tua casa já teve uma perda de qualidade, como de recursos ambientais. Quando tu comes algo que tu mesmo plantastes, a comida deixa de ser uma comida para se tornar uma experiência”.

Há dois anos formalmente no mercado (os outros dois foram de pesquisas), a Plantário nasceu de um propósito do trio, que antes de se formar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), já descobriram que o caminho tradicional de seguir carreira em uma empresa não era para eles. A solução foi inovar. E depois empreender.

“Notamos que a gastronomia estava valorizada, cada vez mais as pessoas gostavam de cozinhar. Também que havia uma preocupação válida com a procedência dos alimentos e que o mercado de orgânicos crescia. Ao mesmo tempo, todo mundo estava optando por morar em grandes centros urbanos com espaços menores. As demandas existiam, mas eram inversamente proporcionais. Equalizamos um produto que tivesse a produção orgânica em qualquer área e que pudesse trazer mais sabor para a cozinha”.

Depois de estudarem agronomia e biologia, os já engenheiros captaram R$500 mil com recursos próprios, seja de economia dos estágios e da ajuda das famílias que, embora tenham achado a ideia maluca, apoiaram por ser inovadora e capaz de melhorar a vida das pessoas. Com quatro funcionários além dos três sócios, a Plantário já produz 300 unidades por mês e tem um pequeno estoque para pronta entrega. Para 2017, a engenharia é relativamente simples: multiplicar por cinco o tamanho da empresa.

“Nós não temos problema em divulgar nosso faturamento. O que entendemos é que o foco da Plantário é outro: nosso retorno é uma vida mais saudável”.

Há dois tipos de modelos, o grande, com capacidade para nove vasos, e o pequeno, para quatro. O produto pode ser comprado em até oito cores por R$ 2.290 o maior e R$920 o menor. Usando lâmpadas de LED, materiais certificados e com sistema de irrigação e ventilação, o Plantário foi desenvolvido para durar dez anos e ser sustentável até no seu descarte. No manual de instruções, por exemplo, há a recomendação para reciclar a caixa e os plásticos que embalam a peça.

“Nós partimos do zero. Hoje, posso comer o que sonhei”, completa Bernardo. Como se diz em gauchês é TRILEGAL!