Negócios de Valor – Alimentando a Nova Tendência Mundial

(Foto: Divulgação/ Bioart)

“É mais importante ter amigos do que ter dinheiro” foi a resposta de Soraia Zonta quando perguntei qual foi o montante total para iniciar sua empresa, a Bioart. Ela, que em 2010 iniciou o seu negócio, contou com colaboradores como uma amiga da Itália, que a ajudou a desenvolver o primeiro produto, um primer para a pele.

“O empreendedor orgânico tem que ser colaborativo e participativo. Como empresária e mulher falo muito isso: a parceria colaborativa é mais importante  pois o que comanda o mercado natural, orgânico e sustentável não é o dinheiro e sim as parcerias”, acredita.

Ao invés de pagar cerca de R$ 3 mil por uniformes para sua equipe, por exemplo, Soraia fez uma parceria com uma estilista de moda sustentável que utilizou jeans de rejeito para criação das peças. “Pagamos a metade da metade do preço e não impactamos o meio ambiente pois a profissional foi na fábrica de jeans e resgatou uma série de retalhos que seriam queimados”.

O princípio da empresa de cosméticos é economia colaborativa que se reflete também nas contratações. Por se identificarem com a marca, as consumidoras procuram a catarinense para desenvolver parcerias e, assim, seu quadro de funcionários não se concentra em um único endereço. “Posso trabalhar em troca de produto?”, me perguntam. Assim, as consumidoras se tornam embaixadoras da marca, criando engajamento. “As parcerias servem também para que cada uma divulga seu próprio trabalho. A Cacá Habeyche é maquiadora profissional e, além de mostrar o meu produto, também expõe seu próprio serviço. Ela faz parcerias com a Bioart em troca de produtos”, contou.

(Foto: Divulgação/ Bioart)
(Foto: Divulgação/ Bioart)

Soraia não gosta da palavra crise. Seu faturamento aumentou 75% em 2015. Sua expectativa para este ano é crescer 50%- destes 30% em exportação já que a empresa foi selecionada pelo projeto “Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias de Valor” da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção e Exportação de Investimentos) em parceria com o Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas.

Aos 33 anos, a CEO da Bioart ganhou dois prêmios importante no ano passado: “Jovem Empreendedora Sustentável” da Ecoera e Vogue e o “Prêmio Mulher Ouro de Empreendedorismo” do Sebrae, que lhe convida para fazer palestras sobre empreendedorismo e empoderamento feminino. “Outras entidades também me procuram sobre as diferenças entre empresária e empreendedora e como empoderar as mulheres e a juventude”, explica.

“Com certeza, Soraia esta a frente do seu tempo e é mais que uma empreendedora: é uma arquiteta de um mundo mais puro, consciente e responsável”, escreveu no Linkedin o professor executivo da FGV, Gustavo Canova, que prestou consultoria de inovação para a Bioart em abril deste ano. Com cerca de 50 produtos em seu portfólio (todos veganos e livres de parabenos e corantes e fragrâncias sintéticas, a empresa baseada em Florianópolis (SC) se coloca não como uma fábrica de cosméticos e sim de alimentos para a pele.

“Tudo o que passamos na pele vai direto para corrente sanguínea. Não criamos maquiagem e sim alimentos para pele que ajudam a maquiar”, explica a CEO que não está apenas alimentando consumidoras e sim uma nova tendência mundial que, contrariando o que disse o professor da GV, já faz parte do nosso tempo.