O desafio de ser um negócio sustentável

(Foto: Ivy Farias)

A preocupação com o meio-ambiente é uma lição de pais para filhas na casa do microempresário Alexandre Miguel, 45. Residente em São Paulo, ele ensina as meninas a nunca jogarem lixo no chão. “E se elas vêem lixo, recolhem e colocam na lata”, conta.

Se por em prática os ensinamentos em casa é fácil, o mesmo não se pode dizer nos negócios. Para ele, que é dono da Bella Pizza, uma pizzaria na Vila Leopoldina, Zona Oeste da Capital, ser sustentável é um negócio literalmente impraticável.

No ramo há 15 anos, ele utilizou o briquete durante  mais da metade do seu tempo de atividade. “Apesar do preço, cerca de 20% acima da convencional lenha de eucalipto, eu comprava pela preocupação com o meio ambiente”, afirma.

Isso até o dia em que seu fornecedor parou de oferecer o produto. Testou três marcas, todas sem sucesso. Há um ano, o microempresário busca alternativas para que seu negócio seja realmente sustentável. “Se o pó de madeira não for bem prensado, de nada adianta”, diz Miguel, que tentou buscar preços competitivos direto com o fabricante. “Os intermediários inviabilizam este tipo de operação”.

A outra tentativa falha foi usar caixas de papelão reciclado para entregar as pizzas e esfihas: “Mas são 40% acima das convencionais”.

“Minha esposa e eu tentamos privilegiar os produtos sustentáveis em tudo. Já tentamos até comprar cadernos com papel reciclado para as crianças mas é muito caro”.

O microempresário dá um recado: “Nós vamos continuar tentando”.  Porque, para ele, a sustentabilidade não pode acabar em pizza.