Sou do Bem: mudando períodos

(Foto: Ivy Farias)

O que sabemos que foi um fruto. Não a maçã e sim um fruto. Lá no Jardim do Éden, a serpente convenceu a primeira mulher a comer o fruto proibido.

No livro de Gênesis só lemos que “multiplicarei grandemente a tua dor”. Não sabemos que dor é esta, mas quem é mulher entende que Eva foi a grande responsável pelas agonias mensais, também conhecidas como cólicas, tensão pré-menstrual e todo apelido que for.

O fato é que no mundo inteiro mulheres em idade fértil menstruam. Eu não me excluo deste fato, assim como de que cada uma de nós consome praticamente 9 mil absorventes descartáveis (e não biodegradáveis) em sua vida.

O que fazer então? Já existem algumas alternativas como as repaginadas toalhinhas da vovó (até que são bonitinhas). Mas o que é mesmo assunto mais falado entre as feministas e ativistas ecológicas são os coletores menstruais.

Apesar de todo o zumzum ter ganhado força a partir de 2010, o primeiro modelo foi patenteado na década de 30 por Leona W. Chalmers e só começou a ser produzidos nos Estados Unidos em Maio de 1959 com o nome comercial de Tassette.

Nestas sete décadas, o coletor evoluiu – e muito. Tanto que decidi parar de poluir mensalmente e comprei um. Minha maior dificuldade foi entender qual tamanho e qual a marca ideal já que a maioria dos coletores é vendido online.

Como queria pra ontem, encontrei uma loja no meu bairro (Vila Leopoldina! Vila Leopoldina!) que tinha o produto em pronta entrega. Mais: era antialérgico, já que era produzido pela Alergoshop.

A Vivi, vendedora que me atendeu, explicou que o coletor precisa ser esterilizado em água fervente em uma panela apropriada de ágata. Ao total, desembolsei R$151,99 com o coletor, a panela e o sabonete líquido.

(Foto: Ivy Farias)
(Foto: Ivy Farias)

Em casa, bastou seguir os procedimentos descritos no manual. Colocar é fácil e não dói. Esquece-se que está usando. Pude dormir e não tive vazamento algum. Segundo o fabricante, é possível usar até 12 horas consecutivas. Não levei tudo isso: fiquei com apenas oito e meu copo ficou pela metade.

A retirada foi mais complexa. Depois foi lavar em água corrente e colocar no saquinho próprio. A esterilização somente após o fim do ciclo. Minha proposta era fazer alguma coisa do bem já que o copo menstrual pode durar até dez anos se utilizado corretamente.

Para o primeiro uso, achei positivo. Confesso, entretanto, que senti um incomodo, um ardor (coceira mesmo). O material do meu coletor é silicone cirúrgico que, teoricamente, não deveria dar alergia. Mas como eu sou alérgica a tudo, pode ser que o problema seja eu.

Minha amiga Ana Ribeiro foi a que me convenceu a comprar um coletor menstrual. Ela não comprou a panelinha porque descobriu que um método eficaz de esterilização é usar os mesmos produtos para dentadura. Outra possibilidade são os esterilizadores de chupetas e mamadeiras (o meu parece mesmo um bico sem furo). O que não faltam são alternativas. O que sobram são poluentes.

Esta foi a minha tentativa de melhorar a vida. Ainda que não fosse como esperado, vou continuar tentando.