Bali, a ilha sagrada dos deuses

(Foto: Arquivo Pessoal/ Francisco Ribeiro)

Confesso que um dos destinos turísticos mais fascinantes do mundo é a ilha de Bali, na Indonésia. Claro que ela não é mais a mesma ilha que conheci há mais de vinte anos, quando estive lá pela primeira vez e me encantei por sua simplicidade, por sua religiosidade, por seu povo. De lá pra cá, Bali se globalizou, redes internacionais de hotelaria ali se fixaram e, hoje, Bali continua sendo um lugar atraente para se visitar mas não mais tão diferente como era.

O que fazia de Bali um lugar encantador era o fato de ser uma ilha pequena, entre duas grandes da Indonésia, Java e Sumatra, e ter ficado distante do islamismo que predomina em todo o país, pois a Indonésia é o país com a maior proporção de muçulmanos do mundo. Em Bali, o povo era (ou é) animista, acredita em deuses diversos para os quais se tinha de oferecer oferendas, ao final de cada dia. Cada casa tinha (tem?) um templo e à frente de cada loja um despacho. Não tive tempo de comprovar se isso se mantinha, pois dessa vez só passei ali um dia e Denpasar, a capital da ilha, tornou-se uma cidade comum a tantas outras da Ásia: cadeias de fast food, trânsito engarrafado, poluição ambiental, ambição materialista para vender o que quer que seja ao turista que ali chega atraído por suas belezas. É claro que elas ainda existem: praias lindas, belas ondas para os surfistas e uma atmosfera que encanta, sobretudo ao turista australiano que ali acorre aos milhares. Afinal, Bali está a um passo da Austrália, país que está longe de tudo.

Chegamos a Bali cedo, o hotel estava cheio e não havia ainda quarto disponível. Sem problemas. Foi só trocar a roupa no banheiro, colocar a sunga e sair pra praia, a poucos metros do local, deixando a bagagem na recepção. A ideia era curtir uma praia e comer alguma coisa até a hora do check-in no hotel.

Estávamos em Kuta beach, a praia central da ilha, a mais frequentada e, por isso, a mais poluída. Bom, estávamos em Bali e não podíamos ficar reclamando do esgoto em natura despejado no mar, da falta de coleta de lixo e essas coisas a que estamos acostumados por aqui. O jeito era deitar e relaxar, afinal estávamos chegando de um voo noturno e o corpo precisava descanso.

Nada melhor do que uma massagem na praia, pelas mãos das idosas balinesas, que fazem isso melhor do que ninguém. Pelo menos era isso o que eu lembrava, da primeira vez em que estive ali. E ainda não falta esse serviço na praia. Contratamos duas e ali mesmo, na areia, começamos a sonhar sob os efeitos das mãos terapêuticas daquelas senhoras. Só que, agora, elas também não se desgrudam do celular: faziam a massagem com uma mão, às vezes duas, e o celular grudado no pescoço e nos ouvidos, atendendo a clientes ou simplesmente proseando com as amigas, os filhos etc. conforme virou praga no mundo inteiro.

Confesso que a vontade era mandá-la parar ou desligar o celular, mas como fazer isso na língua delas ou no parco inglês com que nos comunicávamos? Além do mais, seria rude, pois, no mundo todo, a presença virtual tornou-se prioridade ante a real. Fazer o quê? Relaxa e dorme, foi o que fizemos.

Depois, voltamos ao hotel, almoçamos num bom restaurante italiano na rua, comida internacional e saudável, nada de arriscar naquele calorão, passamos o resto do dia na praia para vermos o pôr do sol em Kuta. Bali está na linha do Equador e o pôr do sol é, religiosamente, às 18h, quando todos, turistas e locais, se sentam na areia e se preparam para ver e aplaudir o inesquecível espetáculo da bola de fogo engolida pelo mar. Ah, Bali, perdeu muito a magia de quando a conheci, mas não deixa ainda de ser um dos lugares mais encantadores do mundo.