Orcas: Beleza e sociabilidade confundidas com violência

(Foto: Pixabay)

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, as Orcas, chamadas pela ciência de Orcinus orca, não são baleias, e muito menos assassinas. Elas pertencem à Ordem dos Cetáceos, ou seja, são golfinhos – os maiores de todo o grupo.

Várias são as diferenças entre as baleias e os golfinhos, mas certamente a principal é a dentição e os hábitos alimentares. As baleias tem barbatanas no lugar de dentes e sua alimentação pode ser resumida de maneira simples: elas nadam “com a boca aberta”, enchendo-a de água, repleta de plânctons (organismos microscópicos que vivem flutuando na água do mar). Depois disso, elas “fecham” as barbatanas (imagine uma persiana fechada – é mais ou menos assim) e pressionam a língua no “céu da boca”, de forma que a água sai pelas membranas, e os micro-organismos ficam presos nelas.

Já as Orcas – assim como todos os golfinhos – tem dentes e a capacidade de dilacerar e mastigar carne, elemento fundamental em sua dieta, composta por peixes, moluscos, aves, tartarugas, focas, tubarões, entre outros. E não, elas não comem humanos, e não são assassinas.

As Orcas são o segundo mamífero de maior área de distribuição geográfica na Terra – só perdem para nós, humanos – e são encontradas em todos os oceanos, sendo que as águas mais frias das regiões temperadas e polares são as suas preferidas.

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Elas tem uma vida social complexa, baseada em grupos familiares matriarcais extensos, que podem chegar até a cinco gerações no mesmo grupo. As fêmeas podem dar à luz uma cria a cada cinco anos, e os filhotes são amamentados até aos dois anos de idade.

Em seu cotidiano, as Orcas realizam quatro atividades básicas: busca por alimento, viagem, descanso e socialização, momento em que saltam, arremessam o corpo na água e vocalizam. Durante a captura de suas presas, as Orcas podem parecer cruéis (de acordo com a nossa ótica humana), pois atiram focas e outros mamíferos marinhos uns contra os outros, pelo ar, atitude que fez com que a espécie recebesse o codinome de “Assassina”. Esse comportamento se destina simplesmente a atordoar e matar as presas. Nada muito diferente do que os leões fazem com suas presas na África, porém, com muito menos teatralidade que os arremessos das Orcas.

(Foto: Pixabay)

A espécie foi alvo de caça comercial desde meados do século XX até 1981, quando foi implementada uma ação moratória internacional sobre a caça à baleia. O seu tamanho justificou a sua inclusão entre as espécies protegidas pelo ato, mesmo não sendo uma baleia.

Pesquisadores norte-americanos e canadenses identificaram três tipos de populações de Orcas no Atlântico Norte: as Residentes, que vivem nas águas costeiras do Pacífico, alimentam-se principalmente de peixes e lulas e vivem em grupos familiares complexos e coesos; as Temporárias, que, ao contrário das residentes, não permanecem sempre nas suas unidades familiares. Vivem no sul do Alasca, se alimentam de mamíferos marinhos e viajam em pequenos grupos, normalmente de dois a seis animais; e por fim as Offshore, que vivem em alto mar, cruzam os oceanos e alimentam-se de peixes em cardumes e possivelmente mamíferos e tubarões.

Essa complexidade de hábitos alimentares e comportamentos, que está diretamente relacionada com o local de nascimento e os costumes familiares de cada grupo, nos indica o quão sério, difícil e delicado é manter esses grandes mamíferos em cativeiro, o que é comum, devido a sua inteligência e beleza. Imagine a complexidade de colocar em um mesmo habitat um indivíduo vindo de uma população residente e de uma população offshore, com hábitos alimentares e percepções de grupo tão distintas.

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A primeira exibição de uma Orca em um parque temático foi em Vancouver, em 1964. Estima-se que desta data até 1985, cerca de 130 animais foram retirados das águas do Pacífico e da Islândia com este fim. Oficialmente, a partir de 1985, só existem Orcas que nasceram cativas nos parques. Atualmente não é permitida a retirada de animais selvagens para cativeiros, porém “na vida real”, nada é tão perfeito.

Além das capturas ilegais, hoje em dia, as Orcas enfrentam outros desafios: a pesca oceânica, que com redes subaquáticas imensas varem os mares, levando com elas tudo o que encontra, as marés negras provocadas por desastres com petroleiros, o aquecimento global, que cada vez mais, reduz as áreas de convivência da espécie, e a fama de assassinas, que ainda persiste no imaginário coletivo de uma parcela significativa da população mundial.

Nós podemos fazer muito pela espécie, e nem nos damos conta. Incluir em nosso dia-a-dia hábitos que ajudam a diminuir a velocidade dos processos de aquecimento global, como consumir produtos locais (que não são transportados por longas distâncias), optar por produtos eco-friendly e andar mais de transporte público, a pé ou de bicicleta são apenas algumas iniciativas que podemos adotar a partir de hoje, e que tem um impacto positivo enorme na conservação de ambientes e de diversas espécies, inclusive da Orca.