O poder da mudança está na juventude

Da esquerda para a direita estão: Vitor Belota, Tâmara Andrade, Marcus Barão, Roberto Kovalick e Isadora Vasconcelos (Foto: Luciana Almeida)

Qual o seu propósito? Esta pergunta pode ser difícil de responder, mas muitos jovens estão transformando a sua frustração com iniciativas, que promovem o desenvolvimento sustentável e faz a mudança que querem ver no mundo.

A liderança jovem e o seu envolvimento com questões globais foi o tema do YouthSpeak Fórum, um evento realizado pela AIESEC, movimento de empoderamento de jovens, que visa promover debates sobre assuntos relevantes, que aconteceu nesta terça-feira (24), em São Paulo.

Com mediação de Marcus Barão, do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), o painel de abertura abordou o tema “Liderança Jovem? A chave fundamental para mudar o mundo”. E contou com a participação de Isadora Vasconcelos, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a psicóloga Tâmara Andrade (Vetor Brasil), o jornalista Roberto Kovalick (TV Globo), e Vitor Belota (fundador da ONG Litro de Luz).

O engajamento da juventude foi o assunto central da discussão. Nos últimos anos, jovens ao redor do mundo têm se manifestado livremente sobre questões relevantes da sociedade e mostrado que o sistema atual não condiz mais com as necessidades sociais. Como foi o caso, por exemplo, da Primavera Árabe e das manifestações de gênero.

Um dos motivos apontados para o ativismo dos Millenials é a lição aprendida com a geração passada. Para Kovalick, a nova geração é uma centelha de esperança ao mundo, porque ao contrário das outras que apenas sonhavam, eles vão e fazem. “Na minha geração e em outras gerações que vieram depois, eu sempre vi muito as pessoas sonharem, e eu vejo vocês fazerem. Isso para mim é fantástico”, afirmou o jornalista.

Belota concordou com o jornalista e completou: “a nossa geração não é mais especial que a dele. É que a nossa é mais privilegiada. É uma geração que nasceu em uma época pós-ditadura e que passou pela hiper inflação. Não era fácil seguir o sonho e não tinha essa ideia na juventude, de que era possível fazer o que deseja. Essa geração tinha que trabalhar e o ideal era seguir uma carreira pelo maior tempo possível. Então nós estamos numa geração em que podemos nos dar ao luxo de sonhar. Precisamos levar isso com uma gratidão muito maior”.

Pela primeira vez na história, a geração jovem está se tornando a maior parcela da sociedade mundial e a parte da população economicamente ativa predominante na pirâmide demográfica em 59 países, incluindo o Brasil.

Com a configuração da globalização e o surgimento da internet, a insatisfação com determinadas situações, que sempre existiram, começou a ser expressa e debatida em diferentes esferas.

“A insatisfação sempre esteve posta, sempre houve. E é próprio da juventude, digamos assim, comportalmente, ficarem insatisfeitos com o que encontram e poderem transformar. É assim que a gente avança. Se a gente não for inovador, sonhador e até irresponsável de certa forma quando for jovem, vai ser quando?”, contestou Kovalick.

O jornalista ainda ressaltou que a juventude tem uma ótima oportunidade para mudar o mundo ao seu redor, sem ter alguém lhe dizendo o que é certo ou errado. “A globalização é um processo inexorável e que permite que cada um de nós possa expressar aquilo que a gente pensa. Não existe mais uma coisa padronizada ou um grande irmão falando ‘é assim que faz, façam desse jeito, é assim que funciona’. Isso dá mais poder para as pessoas. Para mim, esse é um tremendo poder, uma tremenda responsabilidade e oportunidade, usar esse poder para fazer com que as coisas melhorem”, complementou.

Um dos caminhos apontados na discussão para mobilizar os jovens a serem mais engajados é o Empreendedorismo Social, em que iniciativas são colocadas em prática para melhorar a sociedade. Como é o caso dos projetos Litros de Luz e Vetor Brasil, fundados por Vitor Belota e Tâmara Andrade, respectivamente.

“Para você ser um empreendedor social, você tem que ter uma empatia muito real e sincera com o problema que você está ajudando a resolver. Então quando você sai do mundo que você vive e vê uma realidade tão cruel, que você não consegue entender como o ser humano pode estar vivendo naquilo, você cria uma empatia real e é muito mais difícil você ser hipócrita e fingir que aquilo não existe depois”, contou Vitor.

Para os muitos jovens que desejam fazer a diferença, mas não sabem por onde começar, os palestrantes deram algumas sugestões. Para Tâmara Andrade, do Vetor Brasil, o primeiro passo necessário é o autoconhecimento.

“Todo o processo para se engajar passa pelo processo de se conhecer, e não é papo de psicóloga. Não tem uma iniciativa certa, mas sim aquela iniciativa que tem mais a ver com você e com o propósito que você quer causar. Às vezes, isso pode não estar claro, por isso é importante testar várias e ver o que faz mais sentido na sua vida”, disse a psicóloga.

Para Belota, o autoconhecimento é fundamental para entender o que o jovem quer fazer. “Não busquem a organização em si, busquem a causa que mexe com você, busca ao máximo conhecer os seus talentos e suas competências, e os aplica para as dores do mundo. Eu acho que essa é a principal dica. Porque você não descobre o seu propósito da noite para o dia, é uma coisa que você constrói durante a vida”.

Outro passo importante é não ficar parado e ir atrás dos projetos. “Tem milhões de iniciativas que já estão rodando. Então estejam abertos a conhecer, se engajem na universidade de vocês, tem vários grupos dentro das universidades e procurem outras organizações. Conheçam. Vão atrás. Do sofá de casa, ninguém muda o mundo. Então se continuar sentado, as coisas não vão mudar. Acreditem no seu potencial!”, reforçou Tâmara.

Para Isadora Vasconcelos, do PNUD, é “importante se manter informado e contribuir para as aberturas que vierem para participação e engajamento jovem, que a gente aprende junto. A gente ainda não tem uma fórmula de como fazer as coisas acontecerem, como nós apontamos. Então é um processo coletivo que demanda o envolvimento de todo mundo”.

Não há mais por que esperar! Agora é hora da mudança.