Combate ao desmatamento da Amazônia está estagnado

desmatamento na Amazõnia
(Foto: Reprodução/ Agência Brasil)

O Brasil está há quatro anos sem reduzir o índice de desmatamento na Amazônia. A afirmação é do secretário de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Everton Lucero, que esteve presente na Conferência do Clima (COP 22), em Marrakesh, no Marrocos.

De acordo com dados do governo, o Brasil reduziu o desmatamento na Amazônia em 78% em dez anos e havia freado o índice em torno de 5 mil a 6 mil quilômetros quadrados por ano e em 2015 passou de 6 mil.

Os números são preocupantes, uma vez que o país se comprometeu em acabar com o desmatamento ilegal da Amazônia, restaurar 15 milhões e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas até 2030, no Acordo de Paris – compromisso ratificado por mais de 100 nações para impedir o aumento da temperatura do planeta em até 2ºC e que está sendo discutido na COP 22.

“Estamos engajados no combate contínuo ao desmatamento da Amazônia, que, nos últimos quatro anos, parece ter chegado a uma planície. Não está mais caindo, como esperávamos. Nós precisamos então olhar para isso e fortalecer as medidas de comando e controle e, ao mesmo tempo, criar alternativas econômicas viáveis e sustentáveis para os 25 milhões de pessoas que vivem na região”, disse o secretário.

Durante o evento, Lucero também contou que o governo irá lançar em breve um programa de monitoramento do Cerrado. Atualmente, o bioma tem um índice de desmatamento tão alto quanto os da Amazônia e é menos protegido pela legislação. Além disso, o Brasil irá ampliar os esforços no combate ao desmatamento ilegal e fará programas de compensação para repor áreas desmatadas dentro da lei.

O secretário não mencionou as críticas feitas pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que o setor agropecuário não pode se comprometer com a restauração florestal por conta do custo, que ele julga muito alto.

Apesar dos números apresentados no índice, os esforços brasileiros para conter o desmatamento se tornaram uma referência para os outros países. Para o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Vidar Helgesen, as medidas de monitoramento e combate ao desmatamento implantadas no Brasil são bem-sucedidas, por permitir que o nível de desmatamento seja reduzido, ao mesmo tempo, que a qualidade de vida da população local melhora.

Considerado um dos países com metas mais ambiciosas, o governo brasileiro está em Marrakesh para dar continuidade aos compromissos firmados no Acordo de Paris, acelerar a implementação das propostas e atrair investimentos.

Além dos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris citados acima, o país também se propôs a cortar 37% das emissões até 2025, com indicativo de reduzir 43% até 2030, aumentar a participação de bioenergia sustentável na matriz energética para aproximadamente 18%, aumentar em 45% a participação de energias renováveis na composição da matriz energética.

** Com informações da Revista Época