Campanha global incentiva expansão de combustíveis sustentáveis e Brasil promove bioetanol na COP23

(Foto: Pixabay)

O Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, sigla em inglês) lançou, nesta terça-feira (14) na COP23, a below50, uma iniciativa que reunirá as Américas do Norte e do Sul e a Austrália para aumentar a demanda e o mercado de combustíveis sustentáveis

A below50 visa reunir toda a cadeia de valor para combustíveis sustentáveis – ou seja, que produzem 50% menos emissões de CO2 do que combustíveis fósseis convencionais – para encontrar soluções para os desafios de cada região, como criar políticas locais e de conscientização e financiamento.

“Precisamos de inovação em políticas, tecnologias e métodos de colaboração. Não vamos resolver o desafio climático apenas com a tecnologia existente. Precisamos investir nas tecnologias e nas parcerias que precisaremos quando a descarbonização for ainda mais difícil”, disse Rasmus Valanko, diretor de clima e energia do WBCSD.

Atualmente, o transporte representa cerca de 18% de todas as emissões no mundo e mais de 90% do setor depende de combustíveis fósseis. Segundo a Agência Internacional de Energia, para atingir as metas do Acordo de Paris será necessário que, no mínimo, 10% de todo os combustíveis para transporte devem ser de baixa emissão em 2030 e de 30% em 2050.

“O Acordo de Paris deu uma ambição compartilhada sobre as mudanças climáticas, e com base nisso, é necessário que haja planos de ação nacionais e locais claros que incluam a inovação. É aí que as reais reduções de emissões acontecem”, disse Valanko.

Bioetanol pode ser uma das soluções para reduzir as emissões

Na Conferência, o Brasil apresentou um estudo em que mostra a importância e o impacto da bioenergia para uma economia focada em energias renováveis.

De acordo com o estudo, a produção de bioenergia poderá atender a demanda crescente de energia no setor de transporte e diminuir significativamente as emissões de gases de efeito estufa.

No relatório, o Brasil apresenta como é possível utilizar o açúcar das plantas, fibras e outras partes dos vegetais na produção de bioenergia, também conhecido como bioetanol de segunda geração.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o coordenador do estudo feito pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Marcelo Poppe, explicou que o etanol pode auxiliar a atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“O bioetanol tem a vantagem de poder ser produzido a partir não só dos açúcares, mas de outras partes dos vegetais. Isso dá acesso a diversos outros países, que não são tropicais e não têm clima e solos propícios à plantação de milho, beterraba e cana, para produzir esse insumo a partir de outras fontes. O custo vai ser superior, num primeiro momento, mas é possível de fazer”, afirmou o pesquisador.

Apesar de o governo brasileiro estar promovendo o bioetanol na Alemanha, está em tramitação na Câmara dos Deputados a medida provisória 795, que pretende estimular a participação de empresas no leilão de camadas pré-sal e pós-sal e propõe um regime tributário especial para beneficiar empresas vinculadas a exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, gás e outros hidrocarbonetos fluidos.

** com informações da ONU, Folha de S.Paulo e Agência Brasil