Carta assinada por 15 mil cientistas alerta sobre o risco ao planeta

(Foto: Pixabay)

Cientistas internacionais se juntaram para divulgar um estudo publicado na revista BioScience, em que alertam que “a humanidade fracassou em fazer progressos suficientes na resolução geral desses desafios ambientais anunciados, sendo que a maioria deles está piorando de forma alarmante”.

O documento tem mais de 15 mil signatários, de 184 países, intitulada “Advertência dos Cientistas do Mundo à Humanidade: um Segundo Aviso”.

Alguns dos fatores que mais afligem os cientistas da atualidade são a trajetória das mudanças climáticas – potencialmente catastróficas -, provocada pelo aumento dos gases de efeito estufa emitidos pela queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e a expansão sem controle da indústria agropecuária, particularmente de gado para a produção de carne.

Durante a COP 20, do RJ, realizada em 1992, a Union of Concerned Scientists e mais de 1.700 cientistas independentes publicaram uma carta de “Advertência dos Cientistas do Mundo à Humanidade”, em que alertava para a “necessária grande mudança em nossa gestão da Terra e da vida para se evitar uma vasta miséria humana“. Como o alerta não vingou, agora os pesquisadores afirmam que o homem é responsável por um novo evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos.

O que recomendam os cientistas:

– priorizar a criação de reservas conectadas, bem financiadas e bem gerenciadas de modo a preservar uma proporção significativa dos habitats terrestres, marinhos, de água doce e aéreos do mundo;

– cessar a destruição das florestas, prados e outros habitats nativos, de modo a manter os serviços ecossistêmicos da natureza;

– restaurar comunidades nativas de plantas em larga escala, particularmente paisagens florestais;

– renaturalizar regiões com espécies nativas, especialmente predadores do ápice da pirâmide alimentar, para restaurar processos e dinâmicas ecológicas;

– desenvolver e adotar instrumentos políticos adequados para reparar a defaunação, a crise de caça ilegal e a exploração e o tráfico de espécies ameaçadas;

– reduzir o desperdício de alimentos através da educação e de uma melhor infra-estrutura;

– promover transições na dieta na direção, sobretudo, de uma alimentação à base de plantas;

– reduzir ainda mais as taxas de fecundidade, garantindo que as mulheres e os homens tenham acesso à educação e a serviços de planejamento familiar voluntário, especialmente onde tais serviços ainda não estão disponíveis.

– aumentar a educação natural e ao ar livre para crianças, bem como o engajamento geral da sociedade na apreciação da natureza;

– reorientar investimentos e compras no sentido de incentivar mudanças ambientais positivas;

– detectar e promover novas tecnologias ecológicas, com adoção massiva de fontes de energia renováveis, eliminando os subsídios à produção de energia através de combustíveis fósseis;

– revisar nossa economia para reduzir a desigualdade econômica e garantir que os preços, a tributação e os sistemas de incentivo levem em conta os custos reais impostos ao nosso meio ambiente por nossos padrões de consumo e

– estimar um tamanho de população humana cientificamente defensável e sustentável a longo prazo, reunindo nações e líderes para apoiar esse objetivo vital.