COP 23 cumpre proposta inicial sem avanços significativos

(Foto: Reprodução/ Twitter/ UN Climate Change‏)

A 23ª Conferência do Clima da ONU (COP 23) terminou nesta sexta-feira (17) em Bonn, na Alemanha, sem avanços significantes e apenas a proposta inicial cumprida: começar a definir o regulamento que permitirá a implementação do Acordo de Paris para impedir o avanço do aquecimento global.

A ilha de Fiji, que presidiu a conferência deste ano, apresentou o chamado “Diálogo Talanoa”, um documento que deverá nortear as negociações, em 2018, para incentivar o esforço global e aumentar as ambições das metas cada país.

Apesar dos esforços para que as negociações avançassem, alguns assuntos provocaram divergência entre os países, como a ajuda financeira de países ricos para países em desenvolvimento alcançar as suas metas e se tornar resiliente. A demora a receber o financiamento fez muitos países pobres questionarem o comprometimento dos desenvolvidos com o Acordo de Paris.

As maiores dificuldades “são os métodos de implementação [do Acordo], não apenas o acesso a financiamento e recursos, mas a transferência de tecnologias e gestão de capacidades” para ajudar os países em desenvolvimento, explicou María Fernanda Espinosa, chanceler do Equador e representante do G77 e a China.

O anúncio da saída dos Estados Unidos, segundo maior emissor de CO2 do mundo, também impactou as negociações. Para Seyni Nafo, um negociador do grupo de nações africanas, o posicionamento do país americano influencia o comportamento de outros países desenvolvidos.

Participantes descreveram a COP 23 como uma etapa intermediária da negociação. Segundo avaliação do Observatório do Clima, os debates na conferência passaram longe da “necessidade de aumentar as metas de redução de emissões e de financiamento climático antes que a janela de oportunidade ainda aberta para limitar o aquecimento global a 15ºC se feche”.

“A COP23 começou com o lema ‘mais longe, mais rápido, juntos’. Conseguiu entregar o ‘juntos’, o que é melhor que nada, mas não foi nem longe, nem rápido. Todas as expectativas agora ficam por conta da COP24. O risco disso é enorme”, avalia André Ferretti, gerente de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário e coordenador-geral do Observatório do Clima.

A COP 24 deve acontecer em dezembro de 2018 na Polônia.

** Com informações do Observatório do Clima e da Agência France Press