COP23 chega ao fim com vácuo de liderança entre os países

(Foto: Wolfgang/ REUTERS)

O Brasil, que se colocou como anfitrião para COP25, em 2019, mas está sendo criticado justamente por não fazer o dever de casa. Registre-se o aumento de e missões de quase 10% mesmo vivendo uma recessão brutal, a venda em leilões de campos de petróleo do Pré-Sal, sob denúncia de fonte inglesa sobre o lobby da Shell, que chegou às tribunas do parlamento, sob discurso inflamado do senador Roberto Requião, o “nada” de incentivo para veículos elétricos, o empenho esquisito em diminuir reservas florestais, o apoio desconfortável à bancada ruralista, e por aí segue a lista.

O Brasil está planejando uma grande venda de seus combustíveis fósseis. Há uma proposta do governo de conceder até US$ 300 bilhões em subsídios fiscais para empresas que trabalham na extração de petróleo, que podem gerar até 7% do orçamento total de emissão de gases pela humanidade, considerando o aquecimento global mantido abaixo de 2°C.

Acredita-se que os campos de pré-sal contenham petróleo e gás equivalente a 176 bilhões de barris de petróleo bruto, ou 74,8 bilhões de toneladas de CO2, o que representa 7% do orçamento de carbono para 2°C e 18% para 1,5°C, de acordo com cálculos do Observatório do Clima.

Funcionários destacam que muitos países em desenvolvimento também estão promovendo o petróleo e carvão e que, em alguns casos, como a Alemanha, suas emissões também estão aumentando. Em comparação, eles dizem que o Brasil recebe 74% de sua energia proveniente de fontes renováveis ​​(principalmente hidrelétricas) e que o ritmo do desmatamento desacelerou 16% este ano após um aumento de dois anos que afastou o país dos seus objetivos climáticos.

O principal negociador de mudanças climáticas do país, José Antônio Marcondes,  clamou para que as nações desenvolvidas acelerem ações positivas nos próximos três anos.  “Se não cumprirmos os prazos, se as coisas se tornarem ainda mais difíceis nas discussões – e estamos fazendo tudo para evitar que isso aconteça – corremos o risco de repetir Copenhagen quando o mundo não conseguiu concordar com a ação”, afirmou. Mas não teve como explicar o que o Ministério de Minas e Energia promove para movimentar ainda mais a indústria petroleira em mares brasileiros.

O Greenpeace afirma que essa COP deixou no ar questão importante, que é o financiamento de ações em países em desenvolvimento por parte dos países desenvolvidos.  Nessa faixa preocupante de aniquilamento, que vai sofrer consequências do aumento de temperatura global acima de 1.5ºC até 2100 estão as Ilhas Fiji, que presidiu a COP23.