Bloomberg pede a países que honrem seu compromisso com o Acordo de Paris

(Foto: Michel Euler/ AP)

O ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, pediu que líderes mundiais ignorem as ações do presidente americano Donald Trump, em relação ao combate às mudanças climáticas, para evitar uma “tragédia” e exerçam o seu compromisso com o Acordo de Paris.

O bilionário, que tem desempenhado um papel de destaque nos debates políticos dos Estados Unidos em diversas questões – entre elas a promoção do Acordo de Paris – lançou o livro “Climate of Hope: How Cities, Businesses, and Citizens Can Save the Planet”, em parceria com Carl Pope, diretor executivo do Sierra Club – a maior e mais influente organização ambiental da América.

A publicação tem como objetivo principal salvar o Acordo de Paris. Sob o tratado internacional, os Estados Unidos prometeram que até 2025 reduziria suas emissões anuais de gases de efeito estufa (GEE) em 28%, em relação aos níveis de 2005, o equivalente a uma diminuição de 1,6 bilhões de toneladas de GEE.

Porém com a eleição de Trump, os rumos do país estão se invertendo. No mês passado, o presidente assinou uma ordem executiva para reverter medidas de combate ao aquecimento global, como o Plano de Energia Limpa, cortou gastos com meio ambiente do orçamento para 2018 e abriu caminho para construção de oleodutos.

Além disso, a Casa Branca está discutindo se deve abandonar o acordo climático, como prometido pelo presidente durante sua campanha política, na qual classificou o aquecimento global de “invenção chinesa”.

Para Bloomberg, os Estados Unidos ainda podem atingir os seus objetivos de Paris, independente das escolhas de Donald Trump, por causa da liderança estadual e das forças de mercado no setor privado.

“Washington não vai determinar o destino da nossa capacidade de cumprir o nosso compromisso com [o Acordo de] Paris. E que tragédia seria se a falta de compreensão levasse a não cumprir o acordo. Esperamos que este livro ajude a corrigir essa impressão errada – e ajude a salvar o Acordo de Paris”, afirmou o bilionário durante uma entrevista.

O ex-prefeito também deixou clara a sua opinião sobre a indústria do carvão em seu livro. “Eu não tenho muita simpatia pelas indústrias cujos produtos deixam para trás uma trilha de corpos doentes e mortos. Mas para o interesse de todos, devemos tentar colocá-los fora do negócio”, escreveu.

Questionado sobre as consequências sobre o favorecimento a indústria do carvão, Bloomberg criticou a postura dos políticos americanos. “O fato é que o carvão em Appalachia está se esgotando. Washington não pode colocar gerações de pessoas de volta ao trabalho em uma indústria em extinção”, afirmou.

O bilionário também divulgou planos de doar US$ 3 milhões para organizações, que ajudam os mineiros desempregados e suas comunidades a encontrar novas oportunidades econômicas.

** Com informações do The Guardian e Associated Press